domingo, 17 de fevereiro de 2013

REALIZAÇÃO - OS AVATARAS E AS RELIGIÕES





REALIZAÇÃO

A Yoga é como a prece; 
sem sentir Deus em si mesmo, jamais o discípulo se tornará um Adepto.
 Quereis uma prova mais definidora do que acabamos de expor?
 Ela está na sentença filosófica...
Por Henrique José de Souza


Não falta quem julgue que REALIZAÇÃO não é mais do que empregar métodos (ou Yogas) apropriados a alcançar poderes para ser feliz, quando a verdadeira felicidade está em encontrar a Deus em seu Homem interno.

Não fez Ele o homem a sua semelhança? Logo, o homem deve se igualar a Deus em Perfeição e Inteligência. Adepto ou Homem Perfeito é o nome que se dá àquele que está em condições de guiar os demais à Suprema Síntese que é a SUPERAÇÃO da Alma, ou que a liga ao Espírito. Na Mitologia Grega Psyké anda em busca do seu bem amado Eros. Psyké ou alma tanto vale. E Bem-Amado o Espírito, a Consciência Imortal, o Deus feito carne e transformado em Espírito. Sim, “Busca dentro de ti mesmo o que procuras fora”.

A Yoga é como a prece; sem sentir Deus em si mesmo, jamais o discípulo se tornará um Adepto. Quereis uma prova mais definidora do que acabamos de expor? Ela está na sentença filosófica: “Aquele que ultrapassa o Akasha é fonte de toda Riqueza".
Mas que vem a ser Akasha?

Dá-se o nome de Akasha ao segundo Trono
 ou a parte que separa o mundo divino do terreno. 
Na Cabala é o “Quod superius sicut quod inferius”.
Nesse caso, atravessando discípulo o mundo que medeia o terreno do divino, neste se acha. O termo KAKIM, que se divide em três e não em dois, como julgam certas escolas decadentes, apresenta-nos: o KA para o mundo terreno, o AK para o Akasha como sua própria radical. E o KIM, o mundo Divino. Esse exemplo também equivale às 3 Gunas ou qualidades de matéria: TAMAS, Rajas e SATVA, cujas cores são: Vermelho, Azul e Amarelo. Com elas também se forma a Divina Tríade obedecendo às mesmas cores: Atmã (amarelo), Budhi (azul) e Manas (vermelho).
Quando se diz que Moisés atravessou, com seu povo, e a pé enxuto o Mar Vermelho, não passa de uma alegoria. Sim, porque o Manu, que foi Moisés, como Guia de um Povo, não podia permitir que aquele tocasse na matéria vermelha ou tamásica do mundo, por isso devia passar a pé enxuto.

As más interpretações dos livros sagrados, inclusive a Bíblia, o Corão, o Talmud e outros muitos, conduzem à Superstição e ao Fanatismo.

Um verdadeiro Iniciado nos Grandes Mistérios da vida (que é a verdadeira Eubiose), não interpreta as cousas através da letra que mata, e sim, do Espírito que vivifica. Jesus que era um Iniciado ensinava tamanha verdade.

Ensinava também que 

“Quanto à Ciência do Bem e do Mal 
não é dado aos homens entender 
mas tão somente ao meu Pai”.
Fora disso, acontece como ao poeta patrício ao dizer: 
Deus, ó Deus onde estás que não respondes?

Em que mundo, em que estrela tu te escondes Embuçado nos céus.
Há dois mil anos te enviei meu grito, etc. ...
Sim, há dois mil anos, referindo-se ao Cristianismo, que não soube ensinar onde encontrar a Deus. E assim, o grito fica sem resposta.
Do mesmo modo aquele outro poeta francês ao dizer:

Sicrate Ia cherché au beaux de le Grèce
Platon a Sunium, Ia cherché aprés lui
Deux mille ans sont passes
Je Ia cherche auj'ourdui
Deux mille ans passeront et les
engants des hommes Ia chercheront encore
Quantos saíram das fileiras de nossa Obra para encontrarem a Realização fora e não dentro de si mesmo, deixando-se levar por filósofos fanáticos pouco importa a fama que ainda levam, morrendo todos enigmaticamente.  

Sim, uns gritando por Kundalini. Outros, por Fohat, dezenas deles se unindo à Mãe Divina, sem saberem interpretar, a palavra, quando se trata do segundo Trono, onde se acha a Grande Maia ou Mãe Divina.

Infelizes dos que preferem subir a escada da Vida por degraus tortuosos em vez de o fazer, pelos retos e luminosos em cujo final se acha o Mágico Triângulo da Iniciação, que é o da Mônada Divina, a Consciência Imortal, o Deus de cada Homem, que o mesmo Jesus quando a Ele se referia, assim dizia: “O meu Pai e o vosso”. Porque não dizia ele, nosso Pai?
Publicado em nºs 07 e 08 – Julho a Fevereiro de 1959 – Ano XXXIV
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Os Avataras e as Religiões

"Spes Messis in Semine"
 é o nosso lema:

 A esperança da colheita está na semente.
 A semente do ciclo atual' está' no Brasil 
como em outras épocas esteve com outras nações.
 O Brasil não deve nem pode fracassar em sua missão ...


OS AVATARAS E AS RELIGIÕES

Por Ary Telles Cordeiro


 É com prazer que aproveitamos a oportunidade que nos oferece esta XII Convenção da Sociedade Teosófica Brasileira(Sociedade Brasileira de Eubiose) para analisar em rápidos comentários a causa fundamental que tem dado origem ao aparecimento das várias e diferentesreligiões que atualmente existem e se digladiam.

Abordando o tema da missão dos avataras, o que são e o que representam naevolução da humanidade, daremos a chave para que haja melhor entendimento entre todas, ao mesmo tempo que mostraremos o por que da incompreensão entre os homens.

Helena Petrovna Blavatsky, a mártir do século XIX na expressão do grande Roso de Luna, jamais se cansou de repetir que "Não há religião superior à verdade", verdade  que já foi transmitida diversas vezes aos homens que, infelizmente, sem compreendê-la a transformaram sempre em religião e, .quase poderíamos afirmar que tantas vezes recebeu a humanidade a revelação divina quantas são as religiões existentes na face da terra.

É preciso de início que nos libertemos do grande erro de julgar os homens e fatos do passado com a nossa mentalidade presente. Cada homem e cada acontecimento é fruto de sua época, de seu meio, duma série de circunstâncias enfim que jamais poderão ser bem analisadas à distância de séculos ou mesmo de algumas dezenas de anos, se forem tomados isoladamente.

A Essência Divina quando toma forma humana para se manifestar na face da terra o faz sob diferentes aspectos atendendo também ao meio e  à  época e, quando os homens aceitam, isoladamente, uma destas manifestações negando a legitimidade das demais, automaticamente, escolheu uma religião para renegar as outras.

Atente-se para o fato de que na origem e estabelecimento de todas as grandes religiões encontramos um ser cuja elevação espiritual é tremendamente superior a dos demais de sua época e aí já teríamos uma falta de lógica na aceitação duma religião em detrimento das outras, se não soubéssemos que na maioria das vezes o que faz com que  um homem aceite uma ou outra religião são fatores independentes de seu livre arbítrio pessoal, e entre estes fatores ou influências citamos a família e o pais de nascimento que,  podendo ser católico, budista ou israelita, quase sempre determina a religião a ser seguida.

Para que a humanidade se liberte do sectarismo torna-se necessário o estudo de  conjunto de todas as manifestações da Essência Divina, ou seja dos Avataras, para que, compreendendo a missão de cada um, se compreenda também que todos têm sido portadores da mesma verdade, ainda que cada um a tenha transmitido de modo diverso em função do tempo, do lugar e do caráter de sua própria missão.

Tais variáveis, determinantes da diferença aparente entre os Avataras, dificultam aos homens o correto. entendimento que só a Teosofia oferece como Ciência Divina ou Sabedoria Iniciática das Idades, Alfa e Omega, princípio e fim, síntese e análise de todos os mistérios do Universo.

Quem, sem conhecer a ciência Eubiótica, pode, por exemplo, supor que estamos na 5ª  raça-mãe – a criança – e que cada raça-mãe se divide em 7 sub-raças e cada subraça se divide em 7 ramos raciais, e assim por diante até atingir ao indivíduo? É difícil para quem não tem tais conhecimentos compreender os Avataras em toda a sua majestade e grandeza, eis que eles vêm como orientadores de uma raça-mãe ou de uma sub-raça ou de um ramo racial sendo integrais portadores da essência divina no primeiro caso e parciais nos demais tendo a sua missão ligada à função do grupo humano do qual é o chefe espiritual.

Sri Aurobindo muito nos pode ajudar no mistério dos Avataras, pois não só os analisou em sua missão como também apontou as várias causas que têm impedido aos homens de compreendê-los. São do grande mestre hindu as palavras que seguem:

"Os homens vêem as coisas e fazem as coisas com o mental e aquilo que vêem é uma perfeição mental humana. Quando pensam na manifestação da divindade crêem que esta deve ser uma perfeição extraordinária para executar as coisas humanas ordinárias, uma faculdade extraordinária para os negócios, para a política, a poesia ou a arte; uma memória exata, jamais se enganar e não estar sujeito a imperfeições nem reveses. Ou ainda pensam em coisas a que chamam de sobre-humanas como não comer, de predizer a duração duma dificuldade, de deitar sobre pregos ou de comê-los. Tudo isto nada tem a haver com a manifestação do Divino. 

A divindade age segundo uma outra consciência e não segundo as. idéias dos homens sobre o que ela deve ou não fazer. Um avatara não é de forma alguma obrigado a ser um profeta espiritual. De fato ele não é jamais unicamente um profeta mas um realizador, um fundador e, não apenas de coisas exteriores, si bem que ele realize qualquer coisa no mundo exterior, qualquer coisa de essencial e necessária para a evolução terrestre que é a evolução do espírito encarnado  através. das etapas sucessivas em direção ao Divino.
O avatara
 não teria grande significação 
se não estivesse ligado  à  evolução. "
A sucessão hindu dos 10 avataras é, ela mesma, por, assim dizer, uma parábola da evolução. De inicio o avatara peixe, depois o animal anfíbio entre a água e a terra, depois o animal terrestre, depois o avatara homem-leão que faz a ponte entre o homem e o animal, depois o homem como anão, pequeno, não desenvolvido e físico mas contendo o Divino e tomando possessão da existência, depois os avataras rajásico, sátvico e nirguna que conduzem o desenvolvimento humano do homem rajásico vital ao homem mental sátvico e em seguida ao super-homem mental".

Tais considerações, meditadas como merecem, levam a conclusão que a essência divina, isto é, o Deus de cada religião que em verdade é o Deus único de todas, não se limitou a uma única aparição na face da Terra, deixando seus filhos – os homens – antes e depois de sua aparição, entregues  à  sua própria sorte e imperfeição. Não.  Deus é infinitamente bom e sábio e em sua grandeza e sabedoria acompanha sem descuido a evolução da humanidade. 3.500 anos antes de Cristo Krishna dizia ao seu discípulo Arjuna, conforme vem relatado no Bagavad-Gita:

"Todas as vezes 
que Dharma (a lei justa) declina
 e Adharma (o contrário) se levanta,
 Eu me manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus.
 Para o restabelecimento da Lei Eu nasço em cada Yuga 
(isto é, em cada ciclo ou idade) ".
E foi assim e por isto, que durante séculos e séculos, através da evolução da humanidade, e principalmente nas fases de transição ou mudança de ciclo em que novo impulso evolucionista deveria ser dado, que apareceram Ram, Buda, Cristo e muitos outros portadores da essência divina e que, por isso mesmo, são denominados com o excelso título de avatara.

A veste externa, ilusória, de cada um é diferente, mas o conteúdo interno, sublime é o mesmo. Portadores da verdade todos a distribuíram por parábolas ao povo e por ensinamentos secretos aos discípulos de maior entendimento. As parábolas de cada um diferem das dos demais mas os homens de boa vontade poderão reconhecer nas parábolas de todas a identidade de intenção e a fonte comum de origem.

A propósito, diz o incomparável Roso de Luna: “Krishna, Buda, Jesus, etc. foram Seres Superiores que nos deram doutrinas eficazes, para que nós  – com os nossos próprios esforços  – nos reassumíssemos.

Nenhum deles fundou a religião, que se lhes atribui. Quem logo fundou-a foi o imperialismo de seus pretensos discípulos, os quais, escravos do inerte dogma que criavam, esqueceram que religião não é “crença”, e sim uma dupla ligadura de fraternidade entre os homens, segundo a sua etimologia latina”.

E assim tem caminhado a humanidade, qual filha de extremoso Pai que sempre se faz presente nas horas de indecisão, de dor ou de dúvida.
Para nossos irmãos do Oriente, quando se tornou necessário, fez-se presente no corpo de um príncipe que hoje todos conhecem sob o nome de Gautama, o Buda, e os ensinamentos foram revestidos de forma a que pudessem germinar na mentalidade do povo a que se destinava.

Para seus filhos do Ocidente o Pai apresentou-se na excelsa figura de Jesus e aqui, também, atendendo à natureza do solo onde deveria jogar a semente, solo diferente  do oriental, deu nova forma às suas lições.
Mas não começou há 2.000 anos nem parou nessa época o desvelo carinhoso do Pai. De modo mais ou menos perceptível tem Ele sempre ajudado a seus filhos em sua evolução e nos últimos cem anos, por serem os mais recentes, torna-se para nós mais fácil localizar a manifestação de Sua Vontade.

Assim, no século passado tivemos Ramakrishna, cujos ensinamentos primorosos muito ajudaram ao povo asiático, sendo oportuno citar aqui em abono da tese que defendemos, as seguintes palavras de seu Evangelho que, além do mais, bem demonstra  o alto grau do estado de sua consciência:

“Aquele que foi Rama,
 Buda, Cristo e Chaitanya
 é  agora Ramakrishna. 
Minha Divina Mãe afirmou que minha próxima encarnação
 seria no Ocidente".
Ainda no século passado, tivemos como ponte de ligação entre o Oriente e o Ocidente e, também, possivelmente, como preparadora da nova manifestação da Essência Divina, a grande mestra da Teosofia que foi Helena Petrovna Blavatsky.

Blavatsky, que passaremos a denominar simplesmente como HPB, como é conhecida nos círculos teosóficos, encontrou grande dificuldade para o cumprimento de  sua missão, como soe acontecer çom todos os grandes seres espirituais.

O espiritismo, que deveria ser chamado com mais propriedade de animismo por tratar de coisas astrais, ou da alma, florescia e cumpria o papel para o qual apareceu, originado que foi pela fraternidade jina de Chitzen-Itza, de Yucatan, no México, com a finalidade de arrancar a humanidade das trevas do materialismo em que ameaçava cair.

Os fios desta fase psico-astral foram tomados por HPB com a fundação do Clube dos Milagres, onde ainda se fazia sentir a influência da doutrina espirita, para em seguida, passando para a fase mental, sacudir o mundo lembrando aos homens a existência de uma ciência antiquíssima, conhecida já dos antigos gregos como provam os escritos de Platão e Pitágoras, e muito antes até, chamada pelos orientais de Gupta-Vidya e pelos ocidentais de Teosofia.

Foi assim que nos tempos modernos os homens conheceram a possibilidade de compreensão das religiões através do estudo, usando o mental e reconhecendo a verdade divina que a todas une. Ao impulso evolucionista dado por HPB desta maneira as teósofos chamam de manas-taijasi, ou seja, do mental taijásico, um grande passo dado em continuação à fase espírita, psico-astral.

HPB morreu, mas o nosso extremoso Pai, antes de seu desenlace e para que seus filhos não se alarmassem com o seu desaparecimento, escreveu pela sua mão, na introdução de sua Doutrina Secreta, a  indicação do caminho próximo futuro: 

"No princípio do século XX 
um discípulo melhor informado e com qualidades
 muito superiores poderá ser mandado pelos Mestres da Sabedoria 
para dar provas definitivas e irrefutáveis 
de que existe uma ciência chamada Gupta-Vidya 
(ou seja a Teosofia ou Sabedoria Iniciática das Idades)".

O verdadeiro teósofo deve estar sempre alerta para cumprir os desígnios de Deus, conforme aconselhava a própria HPB que dizia, combatendo as preces e orações dos homens que solicitam favores divinos: 

"É mais  importante que os homens saibam 
o que Deus deseja deles do que pretender
 fazer saber a Deus o que os homens desejam".
Assim, cumpre que todos descubram quem apareceu no principio do século XX, melhor informado e com qualidades superiores, para dar maiores ensinamentos.

Segundo Ramakrishna a procura deve ser no Ocidente e tal afirmativa é corroborada pelos estudos tesóficos que já provaram que o Ecce Oriente Lux de Swedenborg, ou seja, a Luz vem do Oriente, foi substituído pelo Ex Ocidente Luz do Professor Henrique José de Souza.
Outrossim, sabemos que está em atividade a Missão Y, ou seja, a da 6ª  e 7ª  sub-raças da 5ª  raça-mãe ariana, tendo sido o trabalho de HPB ligado  à  6ª sub-raça na América do Norte, enquanto que o desenvolvimento da 7ª  sub-raça pertence à América do Sul, especificamente ao Brasil, passando a característica de manas-taijasi para o superior de budi-taijasi.

E é nesta grandiosa missão que está empenhada a Sociedade Brasileira de Eubiose, preparando a semente da nova civilização, já prevista inclusive pelo intuído sociólogo mexicano Vasconcelos quando afirmou que será, "dentre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a raça cósmica que realizará a concórdia universal, porque será filha das dores e das esperanças da humanidade".

Nós, os brasileiros que temos consciência de que o Brasil é o santuário do gênero humano a caminho da humanidade futura, saudamos aos nossos irmãos americanos do norte aos quais sempre temos procurado ajudar em sua missão espiritual, e saudamos,dizíamos. pelo trabalho despendido segundo os ensinamentos recebidos em prol da 6ª sub-raça, cumprindo assim os desígnios de Deus.

E nesta saudação incluímos o nosso respeito e admiração por HPB, sentimentos que foram diversas vezes exteriorizados, inclusive quando o nosso Mestre materializou a mantilha da mesma, em que, com verdadeira veneração, diversos irmãos puderam contemplar vários fios do cabelo vermelho da mestra, ainda presos à mantilha que mais tarde serviu de travesseiro no sepultamento de uma de nossas irmãs cuja vida anterior esteve profundamente ligada à da HPB.

"Spes Messis in Semine" é o nosso lema: 
A esperança da colheita está na semente.

A semente do ciclo atual' está' no Brasil 
como em outras épocas esteve com outras nações.

O Brasil não deve nem pode fracassar em sua missão e todos os brasileiros, sem exceção, precisam contribuir para que os altos destinos. espirituais e também, porque não dizer, materiais, sejam cumpridos.
Desde o mais humilde até os componentes das mais altas esferas sociais devem se compenetrar do preponderante papel que nos está reservado.
São os nossos votos...

Publicado em Dhâranâ No. 13 e 14 - Ano XXXV

Aos que me compreendem

Dois caminhos estão abertos aos olhos do mundo:
 Um, é estreito e cheio de espinhos; o outro é largo e liso. 
São as duas Veredas, do Bem e do Mal, 
de acordo com a estreiteza de muitas consciências 
ou da sublimidade de outras.

AOS QUE ME COMPREENDEM

(Palavras de um Mestre 
àqueles que procuram perturbar a Obra do Bem)

Luz, sempre Luz.

Dois caminhos estão abertos aos olhos do mundo: Um, é estreito e cheio de espinhos; o outro é largo e liso. São as duas Veredas, do Bem e do Mal, de acordo com a estreiteza de muitas consciências ou da sublimidade de outras.

Os tempos são chegados. As correntes do Bem e do Mal em choque terrível, como duas nuvens carregadas de eletricidade, fazem desencadear sobre o mundo, a horrível tempestade que se vê por toda a parte. A sombra quer empanar o brilho da Luz; os pequenos satélites disfarçados em estrelas de primeira grandeza querem ofuscar a própria Luz do Sol.

Rechaçados por todos os lados; espoliados dos buracos onde ocultavam-se avaramente, os representantes da Sombra fogem e espalham-se por todo o globo; mas nós não lhes damos trégua. Eles procuram guarida aqui, ali, acolá, na certeza da posse de terrenos férteis. Porém, cuidado; eles contaminam cidades, vilas, aldeias inteiras, com o vírus pestilencial de uma epidemia oculta. Judas encontrou êmulos fiéis que muito bem têm sabido reproduzir a Tragédia do Gólgota.

Aproxima-se o representante do Bem para salvar o mundo. Os sabedores disso empregam todos os esforços ao contrário. As estradas estão floridas e os jardins ostentam-se em cores multiformes, emprestando um cenário festivo à Vinda do Senhor.

Toda a natureza em festa procura saudar essa Aproximação grandiosa do Filho de Parabrahm. Mas, desgraçadamente, os formigueiros espoucam de todos os lados, como brechas vulcânicas e deixam sair das suas entranhas úmidas e escuras, os animais daninhos e perversos que desejam destruir todo o trabalho do Bom Jardineiro.

O lobo faminto disfarçado em ovelha, vem rastejando-se em busca do redil para devorar as pobres ovelhas indefesas. Como outrora, na última ceia do Senhor, nós não poderíamos apontar com o dedo, todos os traidores. Mas, por misericórdia, preferimos silenciar a palavra acusatória. Se eles tivessem a estultice de perguntar-nos: “Serei eu o traidor?”, então, nós o diríamos: “Tu o dizes”...Porém, os Judas modernos apanham, simplesmente, o saco dos “trinta dinheiros” e deixam-se ficar impávidos, tranquilos e disfarçados nas suas cadeiras, embora remoendo-lhes a consciência, se é eles a conhecem.

Ei-los a penetrar nos lares, nos santuários, nos templos de todos os credos, repetindo e profanando os pestos e sentimentos de todos, mas calando a razão desse proceder infame. Hipócrita e ridícula intrepidez, digna de um castigo imediato! Eles espalham germens, dores e aflições, prometendo tesouros e riquezas, o seu único deus, o seu único bem. São conhecedores das riquezas divinas, mas preferem as riquezas terrenas. Nós plantamos boas sementes; eles colhem os frutos desperdiçando-os, esmagando-os com os pés ou atirando-os ao monturo da sua consciência. 

 Flagelo humano, eles passam como um cometa, cuja cauda, ao em vez de bela e inofensiva, é um cortejo de infâmias, de formas satânicas e indignas, verdadeiro rastro de lama, que emporcalha o caminho por onde passam.

No momento mais doloroso para o mundo, fase terrível que obriga o próprio Criador a enviar para o mesmo a Sua própria Centelha, a fim de o resgatar do compromisso tomado inconscientemente com a deusa Maya, eles, os representantes da “Mão esquerda” formam um exército à parte, para apupar o próprio Deus, por ser Justo e Bom, formando, portanto, causa comum com o mal existente, retirando, enfim, ao homem o último Raio de Esperança.

Vilania tremenda! Injusta inconcebível!

Porque agis deste modo, quando um só gesto de vossa parte, uma só idéia, um só desejo bastaria para que fosseis tocado por esse Raio de Luz, que transformaria as trevas que vos ensombram e, então, uma Nova Aurora viria iluminar os vossos dias futuros?

Sois bondosos e vos fingis de maus. Sois deuses pequenos e vos fingis de demônios gigantescos, sem vos lembrardes que a queda será mais elevada.

A missão gloriosa que nós, os apóstolos do Budha moderno, o Novo Senhor das Raças e das Religiões, levamos a termo, jamais será desviada do Caminho em que desliza docemente, embora todos os obstáculos que se nos antepõem.
 JUSTUS

Publicado originalmente em Dhâranâ 1 – Janeiro a março de 1926
© Sociedade Brasileira de Eubiose ®
 Li-Sol-30
 Fontes:
© Sociedade Brasileira de Eubiose ®
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres. 
Sejam abençoados todos os seres.

HÉRCULES E OS DOZE TRABALHOS OU A EUBIOSE E AS DOZE CASAS ZODIACAIS



Hércules e os Doze Trabalhos - Parte I

As lendas da antiguidade, 
cristalizações poéticas dos ensinamentos emanados dos templos, 
referem-se, com insistência, a um pais maravilhoso, 
na região onde o sol se põe, isto é, no ocidente.
 Os papiros egípcios citam-no como o Amenti, 
ou melhor, Amen-Ti, o Pais Oculto e também...
 
HÉRCULES E OS DOZE TRABALHOS 
OU 
A EUBIOSE E AS DOZE CASAS ZODIACAIS

Parte I

por Prof.
 Henrique José de Souza



As lendas da antiguidade, cristalizações poéticas dos ensinamentos emanados dos templos, referem-se, com insistência, a um pais maravilhoso, na região onde o sol se põe, isto é, no ocidente. Os papiros egípcios citam-no como o Amenti, ou melhor, Amen-Ti, o Pais Oculto e também, já particularizando determinado lugar dessa região maravilhosa, falam. da Montanha do Ocidente, como sendo a Mansão das Almas osirificadas, justamente onde iam viver aqueles que, iniciados nos mistérios, imortalizavam-se e atravessavam o umbral de Ro-sta. Ro-sta dava para a sala de Maat, a deusa da Verdade.

Ao passar a essa sala, o Adepto, o Osíris N. defrontava-se com os senhores que rodeiam o sol do Ocidente, podendo exclamar as palavras que encontramos no Cap. CXVIII do "O Livro da Morada Oculta": "Eu nasci em Ro-sta. Aqueles que estão entre as múmias me dão os encantos favoráveis no lugar sagrado de Osíris. Meu caminho é nas Moradas de Osíris".

Hieroglificamente, era Ro-sta representada pela cruz ansata. O círculo dessa cruze a boca humana, por onde se manifesta o Verbo; o Tau ou a cruz propriamente dita, ou sta, é o caminho pelo qual vai a Mônada, o Peregrino, o Hansa bramânico, o Cisne Branco do ciclo artúrico ou dos cavaleiros do Santo Graal, Grasalis, o sol místico, no final das contas. A tradição indiana, ao falar dos Jvatmas, as Centelhas ligadas perenemente ao Espírito Universal, enuncia: "Nesta infinita Roda de Brama, morada de todos os seres, peregrina o Hansa, pensa o Eu, deferencia o Governador" (Shvêtashuatara) ".

Foneticamente, podemos ler a cruz ansata, de Ankh, ou da Vida, como – Ra e Ta,Ta-ra, a deusa da Sabedoria na Índia; Ro-Ta, o caminho por excelência, ou Ta-Ro, os arcanos que nas suas lâminas encerram todos os mistérios da Vida.Ro-sta, pois, na linguagem dos hierofantes, era a entrada para a mansão doseleitos, .denominada pelos – latinos – Campos Elísios cujo umbral chamaram de Angus, útero, vereda propriamente dita, onde se verificam as dores do parto. O aspirante à Imortalidade, ao nascer para o Mundo da Verdade, atravessava um portal simbólico e suas angústias são semelhantes às da maternidade.

 Porisso diziam os místicos cristãos, referindo-se ao  Adepto – O Homem das Dores; e podemos recordar uma epístola de Paulo, o Ungido, aos corintos, quando assevera: "Sofro de deres de parto até que encontreis, o Cristo (o Ego Superior, elucidamos nós) no vosso Homem Interno". Na Índia, antes de nascer espiritualmente, o candidato, o discípulo trajado cem vestes brancas oucândidas, atravessava a Vaca . Sagrada, a Vaca de cinco Patas, emblema da Terra, a grande Mãe ou Matar-Rhea (da composição dessas duas palavras surgiu o vocábulo material) Bhumrú". 

A Vaca Pentapoda era toda de ouro puro, o qual vem a simbolizar o mesmo ouro filosofal dos alquimistas. Passando Ro-sta, o Adepto demandava o Amen-Ti, o qual, no plano histórico, só poderia ser atingido pelos homens depois que "Colombo abrisse a porta de seus mares”, na idéia de Castro Alves; e, muito antes todavia, após Hércules ter afastado a Europa daÁfrica para abrir o caminho para o mundo ocidental, a terra do mistério, os  Viajantes desses mares encontraram na África e nas Canárias avisos nos quais se proibia a navegação para o oeste. O consenso universal que prestigiou esses avisos foi anulado por Colombo, que "com três caravelas descobriu um reino que não era o seu” – e a América, veio a ser para a Humanidade a Aurora da Libertação.Passemos agora a estudar os doze trabalhos de Hércules em relação com as doze casas zodiacais pelas quais passou simbolicamente a obra da S.T.B. (HOJE, Eubiose), completando, ao comemorar seu 12o aniversário, um ciclo astrológico.

 Neste caso a S. T. B. (Eubiose) vem a ser o Sol.Herakles, o deus solar grego, ou Hércules dos latinos, é derivado do nomesânscrito Hari-Kulas, o Senhor Sol, o Espirito Planetário da Ronda, o Mel-Khalt fenício, que quer dizer, o Senhor da Cidade, em correspondência ainda com o Ogma gaulês, nome esse que lido anagramaticamente vem a dar os de Mago e o africano caótico Ogam.

Simbolizam os 12 trabalhos as provas iniciaticas por que passava o postulante.Passado o sol pelas 12 casas zodiacais concluiu um ciclo astronômico e todos os ciclos secretos se baseiam no Simbolismo de Hércules. A precessão dos equinócios, ao fim de 25.920 anos, marca um ciclo grande, ligado ao mistério das, estrelas polares ou o "Olho de Druva", que vela por sua filha – a Terra.


SENTIDO INICIÁTICO DOS DOZE TRABALHOS

1. O Javali de Erimantho
– Erimantho é oriundo de Heros Mantheia, que em grego querdizer – o conhecimento do espírito, simbolizado no javali. Esse animal aparece, emtodas as tradições, como Símbolo da Sabedoria Secreta. Adonis, Thamus e outrosiniciadores foram destroçados por javalis.Varaha, o javali, ao contrário, foi quem matou o demônio Hiranyakha, que mergulhara a Terra no abismo das águas.Gautama, o Buda, dizem lendas, morreu de uma indigestão de carne de javali. Aalegoria é clara: foi obrigado a desencarnar, como todos os grandes Iluminados que em excesso deram conhecimentos esotéricos à Humanidade.

2. O roubo dos cavalos de Diomedes
– este termo, contração de Dios-Medos, do deus dos medas, dos zoroastros ou guardiões do misterioso Fogo Celeste que se manifestará com Losuóch, na Idade de' Ouro, como o 10o avatara de Vishnu, o Kalkiavatara, o cavalo branco das tradições indianas.

3. O roubo dos bois de Gueryou, dos bois solares, ou de Guer-Io, o Senhor de Ísis, representados, no Egito pelos bois: Apis e Mnenis. E este outro símbolo que se relaciona com o da vaca Pentápoda brahmânica, no que concerne a Osíris, o aspecto masculino da Divindade; ao passo que Io, a terneira cantada do Esquilo, é a própria Ísis, sua esposa e irmã. Mais um passo è compreendemos que a Índia é a Mãe da Humanidade e o Egito seu Pai, porque si o sacerdote da Terra de Khemi era a encarnação do poder filosófico e científico, o Adepto indiano, no seu profundo misticismo, representava a encarnação do Amor, essa característica feminina.Delineiam-se, assim, os dois caminhos apontados em todos os livros sagrados, por nações: Jnana e Bhakti; isto é, Sabedoria e Devoção, os quais se completam com o do Karma, lei de causa e feito bem expresso nos povos da Ásia Menor.

4. O roubo das maçãs de ouro do Jardim das Hespérides
 
 – O termo grego Hesperos, Hesper ou Vesper, a estrela matutina e vesperal, Vênus, Lúcifer, Portadora da Luz, Phosphoros, Shukra, de onde vieram, no dizer dos sábios, as altas inteligências cósmicas que deram a esta humanidade o intelecto, representado na mitologia grega por Prometeu.

 Esse termo, tem patente ligação com Pramanteia, o Pramanta, a cruz védica de onde brota Agni, o fogo sagrado, o espirito que anima. Pois no jardim das Hespérides, as Atlântidas, as sete filhas de Atlas, guardavam os pomos da Árvore da Sabedoria, aquela que os hebreus colocaram no seu Gan-Eden, junto à Árvore da Vida. Ficavam esses maravilhosos jardins na Atlântida, cujos restos, conhecidos como a ilha de Posseidones vem a ser o 4o continente ou o Kusha-dwipa purânico.Transplantando as maçãs para todas a bacia mediterrânea, Hércules fez com que ali florescessem os mais venerados mistérios da antiguidade. 

Ao simbolismo desse divino roubo (na verdade: uma prodigiosa transplantação de experiências imprescindíveis à evolução humana), prende-se o formidável e capital mistério da queda ou descida no sexo queremos dizer, a perpetuação da espécie mediante a geração sexual, consoante a tradição judaico-cristã ainda conserva apesar de não a saber interpretar.O "pomo de Adão" atravessado, como diz o povo, na garganta do homem, tem, defato, relação intima com o Centro psíquico Vishuda, situado nessa região, o qual tem ligação com Vênus. Como força sutil da natureza ou "tatva", Vênus, é o Akasha, origem psíquica do Som, que faculta ao homem a expressão das idéias. 

A modificação das cordas vocais, quando o varão surge no adolescente, é prova assaz conhecida e bastantemente comprobatória de que Vishuda e o Sexo influenciam-se mutuamente.

Hércules e os Doze Trabalhos - Parte II

Limpeza das cavalariças de Augias, rei da Elida 
– Achamos logo correlação entre Elida e Helios,
 e a seguir Augéis, cujo nome, em grego, 
designa luz, raios de sol etc..
 
HÉRCULES E OS DOZE TRABALHOS 
OU 
A EUBIOSE E AS DOZE CASAS ZODIACAIS


Parte II

por Prof.

 Henrique José de Souza


5. Limpeza  das cavalariças de Augias, rei da Elida – Achamos logo correlação entre Elida e Helios, e a seguir Augéis, cujo nome, em grego, designa luz, raios de sol etc..Consistiu esse trabalho hercúleo em limpar as imundices milenares das estrebarias que simbolizam este baixo mundo das animalidades, para que o sol do espírito pudesse manifestar-se na Terra e propiciar o advento da Satya-Yuga, a Idade de Ouro vaticinada pelos profetas, videntes e pitonisas de todos os tempos. Assim, só assim, poderiam os cavalos do carro de ouro do Sol cavalgar a Terra, conduzido o Senhor da Luz na Mercabah o carro de fogo.

6. O combate contra a Amazona Hipolita
– O sexto trabalho de Hércules é um dos maiores enigmas e representa vividamente o mistério da redenção sexual daHumanidade. Jamais foi falado sobre a Terra o significado supremo deste símbolo,nem mesmo pelos grandes Instrutores ou Iniciadores que, de ciclo em ciclo, espalham por entre o gentio de todas as nações as verdades; eternas e seus sentidos remidores. Seria aqui lugar ótimo para desenvolvermos ante o olhar claro de nosso leitorescomentários amargos sobre o panorama abrasado de guerras e delitos sexuais em que – peregrinos punidos pelas contingências cármicas – nos debatemos. Para tanto, não há espaço nem propósito, pois os leitores podem e devem. compreender isso, apenas volvendo para dentro de si mesmos, meditando e achando no seu Cristo interno o mestre que, qual Virgílio para Dante, lhes mostrará o inferno de sua personalidade e a de quantos ganharam a carne como castigo. É melhor, portanto, discorrermos sinteticamente sobre este trabalho, oferecendo aos nossos irmãos em Humanidade, elementos riquíssimos para meditarem e salvarem-se enquanto é tempo.


Este trabalho vela o mistério das grandes profântidas que outrora, no segreda dossantuários entreviam, na profética tremulina das chamas de Agni, o destina doshomens e dos povos. Essas mulheres, profântidas, sibilas, pitonisas, mulheresdivinizadas, ao fim, resguardavam nos templos a própria sabedoria representada por Aura-Mazda, pela luz de "Surya", pelo ardor de Osíris e pelo amor infinito de Dionisos, expressões várias porém idênticas do próprio Verbo, que se há de apresentar no fim deste negro ciclo que entenebrece o mundo, quando vier no seu flamívomo cavalo alado, o Avatara do Pais dos Calquis. Elas estavam relacionadas com o nome da própria rainha das Amazonas – Hipólita. É por isso que vemos as amazonas contrapostas heroicamente ao amor humano, em todas as lendas e tradições. Só Hércules,não com sua forca bruta, mas por ser o símbolo vivo do próprio mistério que elascustodiavam, podia vencê-las. Encontramos, perpetuado pelos bardos, nos, cantos nórdicos, o portentoso e iniciático ciclo dos Nibelungos; e nele vemos as mesmas amazonas com o nome de Valquírias, filhas de Votã e da deusa Herda, a Mãe Terra, (Mates-Rhea ou Matéria). as quais tinham o alcandorado destino de acender no peito dos imortais a ânsia ca imortalidade, que se concretizava no heroísmo que os levava a pugnar na eterna liça deste baixo mundo pelo amor ideal de todos os Iluminados – a Fraternidade.

 Valquírias, Val-Kyrias, (Vale dos Kyres Kurus etc.), Kuretas, Kyrias, são vocábulos prodigiosos radicados ao Kuru sânscrito, os filhos do sol, a raça eleita das tradições com o papel de conservar, a Ciência Secreta de nossos maiores. Dai a origem pretérita de Cures ou Torre, cidade dos sabinos, fundada por Médio Filho o Himeia, seus deuses superiores, e termos outorgados como títulos honoríficos aos chefe das curicas romanas, que recebiam, como símbolo de sua delicada e responsabilíssima função social, uma pequena lança de ferro chamada hasta pura.Essa hasta romana. era uma especie da "Balança da Justiça", que presidia todas as transações jurídicas do direito quiritário (kyris).

 Por esses étimos constata-se que as Valquírias eram a perfeita representação do eterno feminino que corporifica as aspirações nobres, ou seja, a expressão tradicional da própria Sabedoria, as deusas Ísis, Astarteá, Anat, Semiramis, Minerva, Palas Atenéa etc. A chave sexual deste símbolo faculta a compreensão da constante luta entre o Homem e a Mulher, permanentemente condicionados à ânsia passional, mas realizando o desígnio oculto da evolução: queremos dizer com isto, praticando sua unificação no Filho, que vem a ser o resultado do choque amoroso. Envoltos nas ondas tumultuárias da paixão, o Homem e a Mulher vão, apesar de tudo, evoluindo até chegarem ao dia da "redenção do pedaço original", em que eles, harmônicos entre si, desaparecem no Andrógino, devido ao equilíbrio das propriedades solares e lurares de sua tríplice constituição.

7. A corça Cerinita – Nas montanhas da Arcádia vivia a corça Cerinita, de galhos d'oiro e patas de bronze, consagrada a Artemis pela ninfa Taigeta. Incansável, desafiava todos os caçadores que a perseguiam. Hércules, durante um ano, por montes e vales, perseguiu-a até os Hiperbóreos. Cansada, a corça retornou sobre seus passos para a Arcádia, onde se refugiou no santuário da deusa. Aí Hércules a alcançou mas não a matou em atenção aos rogos de Apoio e sua irmã. A alegoria é clara: a Arcádia, a Arca onde se conservam as sementes de todo ser vivente, ou seja, os mundos divinos das regiões inferiores, é a mesma terra chamada, de Agarta pelos hindus, a Arghya (símbolo da Lua, de onde procedem todos os seres na Terra, e que hoje se esconde aos olhos obscurecidos dos homens, nas Invioláveis cidades subterrâneas. Porisso a corça lunar, já aureolada pelos fulgores do Sol, calca – o bronze atlante – de que eram feitos os seus cascos; e pôde ser consagrada a Artemis, a Deusa da Pura Luz, à Casta Virgem, que em tempo algum conhecera as alegrias do himeneu nem as máculas do amor, representando a própria verdade solar como Taigeta, uma das Plêiades, Mamas ou Amas de Kartikéa, o Salvador segundo a concepção bramânica, ou melhor, o Chefe dos Guerreiros Celestes – o Akdorge das tradições transhimalaias – que virá, cavalgando seu níveo corcel, abrir as portas da cidade de Oiro.


 Estando acorça Cerinita diretamente ligada à tradição dos atlantes, é patente que Hérculesvence no seu sétimo trabalho, o mistério do antigo povo vermelho, cujas relíquias iniciáticas se encontram custodiadas na verdadeira Cidade Eterna (não só por ser eterna mas por conter em si a própria eternidade) na Agarta, ou Arcádia, onde, dia e noite, fulguram Apolo e Artemis, o Deus do Fogo e a Deusa da Luz, expressões da própria Divindade desdobrada, duplicada na maravilhosa e pulquérrima geminação, para consumar o enorme sacrifício da Criação. Esses deuses tinham (e têm) em Hércules seu próprio rebento ou, para jogarmos com um símbolo conhecido no ocidente, o Verbo feito carne.

8. O touro de Creta – Posseidon, o Senhor das Águas, o Netuno grego, ofereceu a  Minos, Ménes, Manu de Creta, um touro que se tornou furioso porque o rei não o quis oferecer em sacrifício ao deus. Tornou-se o terror da ilha, até que Hércules o capturou e domou. Evidencia-se neste hercúleo trabalho a furta da lei do Touro, dominante na 4a sub-raça atlante, a qual tirou seu nome – Toranica ou Turanica – justamente por Ter vivido sob o influxo do signo zodiacal de Taurus. Essa lei levantou-se, no arrebol da nova raça nascida na Advarsha, o berço dos arias ou Aries, o Carneiro, e dirigida pelo Manu Vaivasvata até as ubérrimas terras de Sapta-Sindhavas. Até aqui o símbolo, agora o seu sentido : em plena raca ariana Hércules subjuga a tradicional magia atlante, representada no furioso touro, o quaternário inferior.

9. A hidra de Lerna
– Era filha de Tifon (Tiphaon) e de Ecdna (Echdina). Hórrido dragão de sete cabeças, habitava os pântanos marginais de Argos; seu hálito era peçonha que envenenava todo o país e matava quem o respirasse. A cada cabeça que perdia nasciam-lhe duas. Corresponde, nas teogonias nórdicas, ao dragão Fafner, que guardava os tesouros dos Nibelungos. É o símbolo das forças brutas da Natureza elementar. É a expressão, sintética e medonha, dos monstros apocalípticos da cadeia lunar (antecedente da nossa Terra) ou, mais claramente. os assuras, não-deuses, os deuses sombrios que perpetuamente assediam os que libertar-se buscam dos caucásicos grilhões que os cativam à roda dos nascimentos e das mortes. É, no final das contas a infausta sombra do Mal que se contrapõe à fastigiosa luz do Bem. Tifon e Ecdena tinham na hidra de Lerna o produto legitimo de suas naturezas. Para matá-la Hércules teve o concurso de seu fiel companheiro Iolais. Este agitou contra o animal fatídico o purificador fogo dos archotes acesos nas trípodes dos templos iniciaticos.Iolaos, a lei de Io, a Lua, Ísis, ou a Sabedoria Iniciática das Idades. Só o fogo sagrado da iniciação espanca as trevas da ignorância.

10.As aves do lago Stymphale – O vale de Stymphale, enquadrado entre altasmontanhas, formava uma bacia onde as águas das neves derretidas empoçavam. Nas suas margens viviam as monstruosas aves, guerreiras de Ares (o deus da destruição, na mitologia grega), as quais lançavam suas penas como dardos e talavam os campos cultivados, repastando-se de carne humana. Seja qual fiar a etimologia e a tradução que lhe dêem os mitólogos, para nós, ocultistas, essas são as aves, fálicas que se nutrem da carne sacrificada no carnaval do sexo. (Carnaval ou "Carne-vale").

11.O leão de Némea
– Hércules esmaga entre seus robustos braços a fera que apavora os habitantes de Némea. Arranca-lhe a pele para cobrir seu próprio corpo, como símbolo do sol que, no signo zodiacal, está em exaltação e por isso se torna invulnerável cora os despojos do leão, consoante reza a mitologia. Os leões ardentes são os deuses da mais alta hierarquia criadora. Promana deles o hálito vital que anima todas as criaturas e pode espiritualizar os que a eles se chegam. Astrologicamente, o leão é o signo do fogo. Por isso "Dhâranâ", (primitivo nome cie nossa escola iniciática) foi fundada a 10 de agosto, quando as Dez Luzes, as Dez Sefirots se manifestavam em plenitude, porque à S.T.B. .fora incumbido o Trabalho Mor de preparar os homens – todas as raças aglutinadas na Terra do Fogo Sagrado ou Brasil – para que o próprio Hércules, já como Maitri, pudesse vir a manifestar-se no sublime dia em que Ele, Rei do Mundo, surja avante de seu reino subterrânea, à frente de seu povo, como vaticinado foi no mosteiro de Narabanchi-Kure, pelo ínclito ser enviado de Shamballah, tal qual se pode verificar no livro de Ossendowski, traduzido em todas as línguas cultas – “Bêstas, Homens e Deuses".

12.Herakles encadeando Cérbero – Finaliza o rosário cruciático de seus  trabalhos, descendo ao sombrio Tártaro e encadeando Cérbero, o cão de três cabeças guardião dos reinos inferiores, para mostrar que na finalização dos "ciclos da necessidade" todos os homens, já osirificados habitarão a Terra Interdita. Motivo porque a fraternidade de Kaleb (cão, em árabe), no deserto líbico, situaria aos 23º de latitude norte, tem por emblema o cão que resplandece em Sirius. Um dos mais prodigiosos períodos egípcios – o ano sótico - era marcado por Sirius.A fraternidade de Kaleb, aos 23º de latitude norte, trópico de Câncer, já o dissemos várias vezes e o repetimos agora, é uma das mais veneradas pela Grande Fraternidade Branca, porque dela, nos dolorosos dias em que magos negros prepararam a múmia de Katsbeth (da hoje redimida princesa atlante Kalibet), saíram os dirigentes da missão em que trabalhamos – Henrique e Helena – ou Pitis e Alef, como então eram chamados na linguagem mística. Prepararam-se lá para operar nos planos oculto e histórico, até virem, após lutas cruentas, estabelecer aos 23º de latitude sul esta gloriosa obra redentora.Capricórnio – o trópico em que atualmente viceja a Árvore da Sabedoria – está ligado ao profundo mistério dos Kumaras, os deuses que deram o mental ao gênero humano. 


Tendo a raça ariana desenvolvido, como lhe competia, o máximo progresso mental, é claro que a apoteose da obra dos Kumaras deveria ser ultimada pela dos "Gêmeos Espirituais", na Terra Prometida.Conseguintemente, a lei da Causalidade exigiu que o Brasil fosse descoberto porquem através de seu nome apontasse a representação histórica e oculta dos Kumaras: Cabral.


Publicados originalmente em Dhâranâ
 nº 13 e 14– Janeiro a Junho de 1960

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 Li-Sol-30
 Fonte:
http://site.eubiose.org.br/index.php?do=site:conteudo:exibir&cid
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