domingo, 24 de junho de 2012

MOZART, W. AMADEUS

















O gênio austríaco,
 Wolfgang Amadeus Mozart, 
nasceu em Salzsburg em 1756 
e foi um fenômeno durante toda sua vida. 
 
Aos três anos já conseguia tirar melodias do cravo, 
e chorava quando alguém tocava alto demais 
ou de forma muito discordante. 
 
Aos quatro anos já tocava violino e cravo de forma tão fluente quanto uma criança com o triplo de sua idade e o triplo de tempo de estudos musicais.
Aos cinco anos Mozart já compunha minuetos e outras peças pequenas, porém, todo este poder critativo e musical não era visto por seu pai apenas com alegria, mas também com muito medo e alarme. 

O pai de Mozart não tinha a menor idéia de como e o que mais poderia ensinar ao filho, pois este não gastava mais do que 30 minutos para solucionar os problemas mais complexos que o pai lhe oferecia. 

Vaidoso, o pai de Mozart
 estremecia diante de tal genialidade, porém,
 não deixou de tirar dela tudo o que pode. 
 
"Aproveitou" todo o poder criativo de seu pequeno filho para adquirir uma pequena fortuna. Levava-o para as casas aristocráticas e principescas e fazia-o executar alguns jogos musicais. O que fez com que Mozart passasse a maior parte de sua infância e adolescência viajando. 

Mesmo tendo uma vida totalmente movimentada, aos 12 anos Mozart já era um compositor de altíssima qualidade, seus "métodos" de composição, no entanto, eram um tanto quanto diferentes. 

Por ter tido uma vida cheia de viagens, Mozart criou uma maneira de compor só sua: primeiro ele criava a música em sua cabeça, até em seus menores detalhes, enquanto fazia outras coisas como jogar bilhar, ensinar piano, etc. Depois, logo que tinha a oportunidade de sentar-se em frente a uma partitura em branco, escrevia a música que trazia em sua cabeça com tal fervor e rapidez que não houve quem não tivesse ficado impressionado com tamanha força criadora. 

Escrevia a música
 como se estivesse apenas copiando 
uma partitura que já sabia de cor. 

Esta infância atribulada,
 porém, teve uma forte influência
 sobre sua personalidade. 
 
Alegre e encantador, Mozart ficava a vontade logo após ser apresentado a alguém, entretanto, achava muito difícil formar amizades mais duradouras e profundas. Sua infância o tornara um homem superficial em suas relações. 

Mozart levou esta maneira leviana de viver até a sua idade adulta, pois mesmo casado e pai de família, mudava-se continuamente (chegou a mudar-se 9 vezes em um ano), era também absolutamente incapaz de controlar sua vida financeira. Foi "ciceroneado" até os 30 anos por seu pai, quando este veio a falecer. 

Casado com Constanza, a qual era tão imprudente com relação ao dinheiro quanto o próprio Mozart, passou a viver atolado em dívidas e sob condições de extrema pobreza. 

Nos últimos anos de sua vida,
 apesar de terem sido extremamente ricos
 no que se refere a criação musical, 
sofreu muitíssimo com a falta de recursos.
Mozart, a respeito de sua criação musical, sempre se viu como um grande compositor de óperas. Suas criações operísticas como Don Giovanni, Flauta Mágica e outras eram suas obras favoritas.
Seu instrumento preferido era a viola, que ele tocava admiravelmente em música de câmara com seus amigos, entre os quais, Haydn. 

Entre as obras de Mozart estão 41 sinfonias; 27 concertos para piano; cinco concertos para violino; quatro concertos para trompas; um concerto para flauta; um para oboé; um para clarineta; um para fagote; uma sinfonia concertante para violino, viola e orquestra; sinfonia concertante para quatro instrumentos de sopro e orquestra; um concerto para dois pianos; um concerto para três pianos; um concerto para flauta e harpa; concertone para dois violinos; 17 divertimentos, treze serenatas, mais de cem minuetos, gavotas, marchas e outras peças para dança, freqüentemente agrupadas em conjuntos de seis. 

A maior parte das sinfonias escritas por Mozart 
foi composta como música de entretenimento, 
um contraponto alegre aos divertimentos e serenatas. 
 
Da música vocal composta por Mozart, fazem parte 19 missas (incluindo o Requiem); 4 cantatas; vésperas e uma dezena de obras corais e orquestrais menores; 24 óperas e outras obras para o palco (incluindo, "Idomeneo", "O Rapto do Serralho", "As Bodas de Fígaro", "Cosi Fan Tutte", "Don Giovanni" e "A Flauta Mágica"); 12 árias de concerto, a cantata Exultante, Jubilate e um punhado de peças menores para voz solista e orquestra; 50 canções para voz e piano.

Seus concertos para piano foram escritos, em sua grande maioria, para serem utilizados em suas apresentações. Mozart compôs o primeiro concerto aos 11 anos de idade e o útlimo em 1791, ano de sua morte. 

Mozart,
 um dos maiores gênios da música de todos os tempos,
                              morreu a 5 de dezembro de 1791.
Renato Roschel
do Banco de Dados

'COMPÊNDIO' DESFAZ MITOS SOBRE MOZART

Publicado na Folha de S.Paulo, quinta-feira, 16 de janeiro de 1997


João Batista Natali

da Reportagem Local



Praga era um movimentado centro musical, em 1787, quando Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) estreou sua ópera ''Don Giovanni''. A cidade tinha apenas 80 mil habitantes. Viena, onde o mesmo Mozart estreara no ano anterior ''As Bodas de Fígaro'', era a capital do império dos Habsburgo e tinha uma população de 206 mil austríacos. 
 
Qualquer bom compêndio de história demográfica trará curiosidades como essas. Mas, provavelmente, nenhum deles associará ao compositor de Salzburgo tantas informações contextualizantes quanto ''Mozart, um Compêndio'', organizado pelo musicólogo e historiador inglês H.C. Robbins Landon e que reúne verbetes de 24 excelentes colaboradores. 
 
O livro, com 562 páginas, foi traduzido pela Jorge Zahar e lançado na mesma coleção em que já apareceram obras, com o mesmo formato, sobre Wagner e Beethoven. É uma maneira atraente e moderna de se praticar a historiografia musical. Há obviamente a biografia do compositor, mas sem o psicologismo ou as pieguices que tendem a valorizar o estereótipo do gênio incompreendido. Há também informações econômicas e políticas, sem no entanto fazer da música o suposto ''reflexo'' dessas determinantes. 
 
No caso de Mozart, os editores correm um calculado risco ao trazerem um biografado que há bem pouco tempo _em 1991, bicentenário de sua morte_ foi objeto de uma bela enxurrada editorial. Conseguem, no entanto, fornecer uma referência obrigatória para especialistas ou curiosos de Mozart e contemporâneos. Falemos de dinheiro. Um empregado doméstico ganhava por ano, em Viena, de 10 a 30 florins. 

Quando em Salzburgo (até 1781), Mozart ganhava 450 florins como ''konzertmeister'' do conde-arcebispo Jerônimo Colloredo. Era quase a metade do que o mesmo governante pagava ao castrado Ceccarelli. O maior salário artístico da Áustria, no entanto, era talvez pago em Viena à soprano Nancy Storace (4.500 florins). Mozart produzia sob encomenda. 

Ao deixar Salzburgo, deixou também de ser um assalariado da nobreza. O ensaio dedicado a suas finanças pessoais conclui que, em seus dez últimos anos, ele levantou anualmente de 2 mil a 6 mil florins. É uma quantia elevada para que, mesmo perdulário, ele tenha morrido _conforme a mitologia_ em estado de indigência. 
 
Não foi de maneira alguma verdade.
Outro mito, este bem mais desacreditado, diz respeito a suas relações com Antonio Salieri (1750-1825). O livro revela que em outubro de 1791 ele e a amante assistiram, como convidados de Mozart, no Theater auf der Wieden, à estréia de ''A Flauta Mágica''. Salieri se comoveu às lágrimas. Abraçou Mozart e lhe disse nunca ter escutado música tão bela. Salieri foi professor de Beethoven e Schubert. 
 
Se a posteridade não reconheceu em sua música a qualidade encontrada na de Mozart, não quer dizer que ele, invejoso, tenha envenenado o rival. Essa bobagem, retomada em ''Amadeus'' (1984), filme de Milos Forman, já foi desmontada pelo próprio historiador Robbins Landon, com seu ''1791 - O Último Ano de Mozart'' (1988) ''Mozart, Um Compêndio'' não leva o leitor a perder tempo com essa e outras fantasias, embora mencione que Mozart, provavelmente um paranóico, julgasse ao fim da vida estar envenenado, e Salieri, já esclerosado, dissesse ter assassinado o amigo. Mozart morreu por volta de 1h da segunda-feira, 5 de dezembro de 1791. 
 
John Stone, encarregado desse verbete no ''Compêndio'', é cauteloso no diagnóstico. Menciona todas as hipóteses, que vão de uma febre inflamatória de origem reumática à síndrome Henock-Schoenlein, responsável pela insuficiência e em seguida pelo colapso renal. É uma inconclusão semelhante à de outra das boas biografias recentes do compositor: ''The Mozart Myths: A Critical Reassessment'', de William Stafford, publicada em pela Stanford University Press.
Livro: Mozart, um Compêndio
Organizador: H.C. Robbins Landon
Editora: Jorge Zahar
 
CRONOLOGIA
. 1756 - Nascimento de Johan Chrysostom Wolfgang Theophilus Mozart, ou Wolfgang Amadeus Mozart
. 1761 - Decora e executa em meia hora a primeira peça para piano
. 1762 - Com sua irmã, apresenta-se para a imperatriz Maria Teresa, da Áustria
. 1764 - Na Inglaterra, conhece Johann Christian Bach, que o influencia. Publica em Paris suas primeiras sonatas para piano e violino
. 1768 - Compõe sua primeira ópera, ''La Finta Semplice''
. 1772 - Contratado como músico do arcebispo de Salzburgo, de quem se tornaria mais tarde organista
. 1778 - Conhece a família Weber, apaixona-se por Aloisia, irmã mais velha de Constanze, com quem se casaria
. 1781 - Desliga-se em Viena da comitiva do arcebispo de Salzburgo e passa a trabalhar por conta própria
. 1782 - Ópera ''O Rapto do Serralho'' estréia e é bem acolhida em Viena
. 1784 - Mozart e a mulher se mudam para um luxuoso apartamento em Domgasse
. 1785 - O compositor entra para a maçonaria
. 1786 - Estréia de ''As Bodas de Fígaro'', em Viena
. 1787 - Estréia de ''Don Giovanni'', em Praga
. 1790 - Estréia de ''Cosi fan Tutte'', em Viena
. 1791 - Estréia de ''A Clemência de Tito'' e de ''A Flauta Mágica''. Morte de Mozart, a 5 de dezembro 
 
COMPOSITOR VIROU 'MERCADORIA' E FONTE DE RENDA PARA A FAMÍLIA
da Reportagem Local 
 
O homem se tornou racionalmente curioso no século 18. Apaixonou-se pelas ciências. Queria saber qual era o parentesco entre os humanos e os bichos e, entre os humanos, quais os extremos (genialidade ou bestialidade) entre os quais se acomodava a imagem de quem era ''normal''. Leopold Mozart (1719-1787) tinha uma ligeira noção dessas coisas. Sabia que a genialidade era um fator valorizado e de fácil escoamento no mercado. Se associada à precocidade, seria ainda melhor. 

É assim que Wolfgang Amadeus Mozart surge como uma mercadoria que seu pai, misto de empresário e músico, faz desfilar pela Europa como fonte de renda familiar. Aos seis anos, Mozart toca para o eleitor Maximiliano José 3º, em Munique, e para a imperatriz Maria Teresa, em Viena. Aos sete anos, toca para Luís 15, na França. Aos oito, já compõe sinfonias. O investimento de Leopold no filho e a primazia dele sobre a irmã, Nannerl, transparece num episódio de 1767. 

A família Mozart está em Viena. Hospeda-se num apartamento onde alguns dos filhos do proprietário contraíram varíola. Leopold procura um novo alojamento. Não encontra nenhum em que possa acomodar a todos. Deixa a mulher e a filha no apartamento infectado e se muda com Wolfgang para um outro local de menor risco. Já adulto, Mozart passa a depender cada vez menos do pai, mas não consegue conviver com as dificuldades cotidianas, intransponíveis para alguém libertado de uma forte tutela. 

Seria essa uma das causas de sua vida financeira desregrada, da inabilidade em negociar preços ou se manter à tona num mercado cada vez mais competitivo. Viena considerou Mozart, aos 26 anos, um de seus melhores pianistas. Aos 36, era visto apenas como um entre os bons compositores da periferia da corte. 
 
FRASES
''Agora lhe dou uma notícia 
que você provavelmente já recebeu, 
isto é, que o ímpio arquipatife Voltaire,
por assim dizer, caiu morto como um cão 
_como um animal_ foi essa a sua recompensa!'' 
Carta de Paris a Leopold Mozart, 
de 3 de julho de 1778. 
 
''Minha querida mulherzinha, 
tenho muitos pedidos a lhe fazer: (...) por favor,
 comporte-se de modo a levar em consideração
 a sua e a minha honra, mas também considere as aparências.''
 Carta a Constanze Mozart,
 de 16 de abril de 1789. 
 
''(Constanze) não possui inteligência,
mas bom senso suficiente para lhe permitir 
cumprir seus deveres de esposa e mãe.'' 
Carta a Leopold Mozart, 
de 15 dezembro de 1781
 
''As pessoas acham impossível
 amar uma moça pobre sem ter intenções abjetas.'' 
Carta a Leopold Mozart, 
de 22 de fevereiro de 1778. 
 
''Minha única diversão é o teatro.
 Quisera que você pudesse assistir a uma tragédia aqui: 
não conheço nenhum outro teatro 
em que todos os gêneros sejam 
excelentemente interpretados.''
 Carta a sua irmã, Nannerl,
 de 4 de julho de 1891. 
 
''Digo-lhe diante de Deus,
como um homem honesto, que seu filho 
é o maior compositor que conheço pessoalmente e de nome...''
 De Joseph Haydn a Leopold Mozart, 
de fevereiro de 1785. 
 
Extraído do livro 
"O Combate de Mozart com os Reis Magos", 
de Martin Scorsese.

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Pablo Picasso

Li
 Fonte:
http://almanaque.folha.uol.com.br/musicamozart.htm
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres. 
 Sejam abençoados todos os seres.
 
 

sábado, 23 de junho de 2012

GERHARD RICHTER in the studio 21:59


Publicado em 04/04/2012 por

On the eve of a major retrospective at Tate Modern, Gerhard Richter talks about his life and work with Nicholas Serota, Director of Tate.

Spanning nearly five decades, and coinciding with the artist's 80th birthday, the exhibition Gerhard Richter: Panorama groups together significant moments of his remarkable career.

Courtesy of Tate.
Sejam felizes todos os seres.Vivam em paz todos os seres.
Sejam abençoados todos os seres.
 

GEORG CANTOR : MATEMÁTICO





George Cantor
Matemática
Matematiker georg cantor.jpg

Dados gerais
Nome de nascimento George Ferdinand Ludwig Philipp Cantor
Nacionalidade Rússia Russo
Residência  Rússia (1845–1856), Alemanha (1856–1918)

Nascimento 3 de Março de 1845
Local São Petersburgo

Falecimento 6 de Janeiro de 1918 (72 anos)
Local Halle an der Saale

Actividade
Campo(s) Matemática
Instituições Universidade de Halle-Wittenberg
Alma mater Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, Universidade Humboldt de Berlim

Tese 1867: De aequationibus secundi gradus indeterminatis
Orientador(es) Ernst Kummer e Karl Weierstrass
Conhecido(a) por Conjunto de Cantor, Poeira de Cantor, Argumento de diagonalização de Cantor, Teorema de Cantor-Bernstein-Schroeder

Prêmio(s) Medalha Sylvester (1904)

George Ferdinand Ludwig Philipp Cantor (São Petersburgo, 3 de Março de 1845Halle, 6 de Janeiro de 1918) foi um matemático russo de origem alemã.
Conhecido por ter elaborado a moderna teoria dos conjuntos. Foi a partir desta teoria que chegou ao conceito de número transfinito, incluindo as classes numéricas dos cardinais e ordinais, estabelecendo a diferença entre estes dois conceitos, que colocam novos problemas quando se referem a conjuntos infinitos.

Nasceu em São Petersburgo (Rússia), filho do comerciante dinamarquês, George Waldemar Cantor, e de uma musicista russa, Maria Anna Böhm. Em 1856 sua família mudou-se para a Alemanha, continuando aí os seus estudos. Estudou no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique. Doutorou-se na Universidade de Berlim em 1867. Teve como professores Ernst Kummer, Karl Weierstrass e Leopold Kronecker.

Em 1872 foi docente na Universidade de Halle-Wittenberg, na cidade alemã Halle an der Saale, onde obtém o título de professor em 1879. Toda a sua vida irá tentar em vão deixar a cidade, tendo acabado por pensar que era vítima de uma conspiração.

Cantor provou que os conjuntos infinitos não têm todos a mesma potência (potência significando "tamanho"). Fez a distinção entre conjuntos numeráveis (ou enumeráveis) (em inglês chamam-se countable - que se podem contar) e conjuntos contínuos (ou não-enumeráveis) (em inglês uncountable - que não se podem contar). Provou que o conjunto dos números racionais Q é (e)numerável, enquanto que o conjunto dos números reais IR é contínuo (logo, maior que o anterior). Na demonstração foi utilizado o célebre argumento da diagonal de Cantor ou método diagonal.

 Nos últimos anos de vida tentou provar, sem o conseguir, a "hipótese do contínuo", ou seja, que não existem conjuntos de potência intermédia entre os numeráveis e os contínuos - em 1963, Paul Cohen demonstrou a indemonstrabilidade desta hipótese. Em 1897, Cantor descobriu vários paradoxos suscitados pela teoria dos conjuntos. Foi ele que utilizou pela primeira vez o símbolo \mathbb{R}para representar o conjunto dos números reais.

Durante a última metade da sua vida sofreu repetidamente de ataques de depressão, o que comprometeu a sua capacidade de trabalho e o forçou a ficar hospitalizado várias vezes. Provavelmente ser-lhe-ia diagnosticado, hoje em dia, um transtorno bipolar - vulgo maníaco-depressivo.

 A descoberta do Paradoxo de Russell conduziu-o a um esgotamento nervoso do qual não chegou a se recuperar. Começou, então, a se interessar por literatura e religião. Desenvolveu o seu conceito de Infinito Absoluto, que identificava a Deus. Ficou na penúria durante a Primeira Guerra Mundial, morrendo num hospital psiquiátrico em Halle.

Os conceitos matemáticos inovadores propostos por Cantor enfrentaram uma resistência significativa por parte da comunidade matemática da época. Os matemáticos modernos, por seu lado, aceitam plenamente o trabalho desenvolvido por Cantor na sua teoria dos conjuntos, reconhecendo-a como uma mudança de paradigma da maior importância.

Nas palavras de David Hilbert:
"Ninguém nos poderá expulsar do Paraíso que Cantor criou."
 

Ligações externas


Cantor nasceu em Saint-Petersburg, no dia 3 de Março de 1845, e passou a maior parte da sua vida na Alemanha. Como desde muito cedo revelou talento e gosto pela matemática, o seu pai decidiu que havia de ser um grande engenheiro. 

Quando fez onze anos a família mudou-se para Frankfurt e Georg foi enviado para o Instituto Superior Politécnico Grand-Ducal para estudar engenharia. Embora já sentisse não ser essa a sua verdadeira vocação, era ainda muito  novo para se manifestar contra a vontade do pai e contrariar as ambições que a família tinha em relação a si. No entanto, ao fim de dois anos, mais certo das suas preferências e encorajado pelo afastamento da influência directa do pai, escreveu-lhe a pedir autorização para se tornar matemático, autorização que só lhe foi concedida dois anos depois quando estava já prestes a graduar-se. 

Georg ficou tão feliz que escreveu ao pai uma carta de agradecimento em que prometia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para lhe provar que merecia a confiança que em si ele depositava e para que toda a família pudesse vir a orgulhar-se dele.

Em 1862 Georg viajou para Zurique para continuar os seus estudos, mas voltou para casa ainda nesse ano devido à morte do pai; ingressou em Setembro na Universidade de Berlim, para estudar Matemática, Física e Filosofia. Aí teve como professores matemáticos tão brilhantes como Kummer, Weierstrass e Kronecker.

Cantor doutorou-se em 1867, tendo ficado a leccionar Matemática numa escola privada feminina devido à falta de lugares disponíveis na universidade. Só dois anos depois ingressou na Faculdade da Universidade de Halle, uma instituição de ensino pouco prestigiada.   



































Cinco anos depois, com 29 anos de idade, casou com Vally Guttmann, de quem teve 6 filhos; passou uma lua de mel idílica em Interlaken, na Suíça, onde conheceu e se tornou amigo de um outro jovem matemático: Richard Dedekind, que dois anos antes tinha publicado a sua própria teoria sobre os irracionais. 

Os dois homens passaram muitas horas discutindo as respectivas teorias, mas ainda mais importante do que a troca de ideias foi o encorajamento que deram um ao outro, uma vez que ambos eram relativamente desprezados, ou pelo menos indiferentes, ao resto da comunidade matemática e acabavam por receber a paga que recebem todos aqueles cujas ideias são demasiado geniais para a sua época: a relegação para posições obscuras e mal remuneradas.

Cantor publicou o seu primeiro ensaio sobre a teoria de conjuntos ainda nesse ano. O ensaio tinha sido apresentado e aprovado meses antes, mas um dos editores do jornal onde ele estava para ser publicado deliberadamente atrasou a sua publicação. O editor era Leopold Kronecker, um dos professores de Cantor na Universidade de Berlim, e este atraso não foi apenas uma questão de desleixo da sua parte: era um bocadinho de maliciosa censura académica e um bocado ainda maior de ciúme profissional.
Kronecker é famoso, entre outras coisas, pela afirmação:   

Deus fez os inteiros; o resto é invenção humana.
(Kronecker, cit in Muir, 1996, p. 235, trad. livr
Ele acreditava nisto sinceramente; os números negativos, fraccionários, imaginários e especialmente os números irracionais eram para si uma maldição, a fonte de todos os problemas dos matemáticos, e chegou mesmo a defender que fossem completamente banidos. Deste modo, o infinito só podia ser visto como um processo, nunca como um número: uma entidade matemática que não pudesse ser construída num número finito de passos não fazia sentido, a seu ver.

Como se pode constatar, os seus pontos de vista eram totalmente opostos aos de Cantor, e Kronecker tirou partido do seu estatuto de superioridade profissional para suprimir a heresia Cantoriana.

Mas Cantor não foi o único objecto da opressão de Kronecker. Outro matemático da Universidade de Berlim, Weierstrass, colega de Kronecker mas oponente nas suas ideias, foi profundamente ferido pelos seus ataques. No fim da sua carreira, Weierstrass chegou mesmo a escrever:  

Já não consigo ter o mesmo prazer que tinha antes, quando dava aulas; Kronecker usa a sua autoridade para proclamar que todos nós, que temos trabalhado até agora para estabelecer a teoria das funções [proximamente relacionada com o infinito] somos pecadores perante Deus... 

Tal veredicto, vindo de um homem cujo talento eminente e o notável desempenho na investigação matemática admiro tão sinceramente e com tanto prazer (...), é não só humilhante... como um apelo directo às novas gerações para que abandonem os seus actuais mestres e para que se reúnam à sua volta como discípulos de um novo sistema que é inevitável. 

Isto é verdadeiramente triste, e provoca-me uma amarga dor, ver um homem cuja glória permanece imaculada, deixar-se arrastar a si próprio... para proclamações de cujos efeitos injuriosos sobre os outros parece não se aperceber.
(Weierstrass, cit in Muir, 1996, p. 236, trad. livre

Não se sabe ao certo até que ponto as acções de Kronecker eram motivadas por convicções intelectuais ou por ciúmes profissionais. Certamente havia um pouco de ambas.  Mas embora Kronecker pudesse dificultar a vida a Weierstrass,  não podia prejudicá-lo realmente a nível profissional pois a sua posição era já demasiado segura para isso. No entanto, com Cantor as coisas eram diferentes visto ser apenas um simples professor de uma universidade pouco prestigiada.  

Cantor efectuou várias candidaturas para um cargo em Berlim, que foram sucessivamente recusadas, graças à forte influencia exercida por Kronecker.

Cantor acreditava que todos os prejuízos que lhe foram causados tinham sido “sistematicamente estimulados por Kronecker” (Cantor, cit in Muir, 1996, p. 237, trad. livre), e não eram apenas ilusões neuróticas. Ele não foi a única pessoa a notar ser vítima de hostilidade; Minkowski, que viria a ser mais tarde professor de Einstein, observou - sem no entanto mencionar nomes - que:   

 É mesmo muito lamentável que a oposição por parte de um matemático muito famoso, em campos não puramente matemáticos, possa estar a interferir com os sucessos de Cantor nas suas investigações científicas.”
(Minkowski, cit in Muir, 1996, p. 237, trad. livre)

Schoenflies foi mais incisivo nas suas acusações, notando que as teorias de Cantor:
...encontraram aguçada oposição por parte de Kronecker. Não estarei a passar dos limites se disser que  atitude de Kronecker foi forjada para criar a impressão de que Cantor era, como pessoa, como matemático e como professor, um corruptor da juventude... Cantor estava isolado e abandonado até mesmo por aqueles que ele respeitava profundamente, até por Weierstrass.
(Schoenflies, cit in Muir, 1996, p. 237, trad. livre)

 Cerca de 1884, grande parte das teorias de Cantor tinham sido publicadas e quase completamente ignoradas, graças à conivência de Kronecker. Uma das poucas pessoas que não as ignorou foi um  jovem escandinavo chamado Mittag-Leffler. Foi a ele que Cantor confessou todos os seus problemas, escrevendo-lhe durante um ano cerca de uma carta por semana a queixar-se da perseguição por parte de Kronecker. Mas, por essa altura, era já demasiado tarde. Os ataques agressivos de Kronecker tinham-se tornado insuportáveis. Cantor nunca tinha sido muito assertivo, na sua relação com o pai sempre se submeteu docilmente, e agora mais uma vez estava a ser submetido por outro ser humano.

 Tal como todos os dominados, perdeu completamente a sua auto-estima, ficou profundamente deprimido e perdeu toda a fé em  si próprio e no seu trabalho. Nem mesmo as palavras de Minkowski o conseguiram animar:   

As gerações futuras 
vão considerar Cantor como um dos mais profundos
 pensadores matemáticos desta época. 
(Minkowski, cit in Muir, 1996, p. 238, trad. livre)

Na Primavera de 1884, Cantor teve um esgotamento nervoso. Foram feitas umas tréguas temporárias entre os dois homens e a saúde de Cantor melhorou. Em 1885 era ele próprio outra vez excepto numa coisa: nunca mais escreveu; a sua criatividade parecia ter-se esgotado e durante o resto da sua vida só publicou mais três ensaios. 
Os ataques de Kronecker rapidamente recomeçaram, mais ferozes do que nunca: dedicou as suas conferências a devastar as teorias de Cantor, continuou as suas intrigas para o manter afastado em Halle, e eliminou todos os artigos de Cantor do Crelle’s Journal, do qual era editor.

Em 1981 Kronecker morreu e a sua influência maléfica foi desaparecendo gradualmente. Lentamente Cantor começou a receber o reconhecimento que merecia - depois de ter esperado mais de 20 anos. Foi então nomeado membro honorário da London Mathematical Society, eleito membro correspondente da Sociedade de Ciências em Gottingen, e em 1904 foi homenageado com uma medalha pela Royal Society of London.

Recordando a sua experiência recente, Cantor estava sempre pronto com uma palavra de apreço ou encorajamento para aqueles homens que continuavam a lutar. Em complemento fundou um jornal, o Deutsche Mathematiker-Vereinigung, como veículo para os trabalhos de jovens investigadores que pudessem não conseguir impor-se nos jornais controlados pelos matemáticos estabelecidos.

Para ele, no entanto o reconhecimento chegou tarde demais; a infelicidade e amargura de tantos anos não podiam ser apagadas por um súbito jorro de fama e glória. Respeitado por todo o mundo, sentiu-se como um estrangeiro no seu próprio país:   

 Os Alemães não me conhecem, 
e no entanto eu vivi entre eles durante 52 anos.
(Cantor, cit in Muir, 1996, p. 239, trad. livre) 


 


















Cantor nunca chegou a receber um posto melhor do que aquele que tinha em Halle pois estava já demasiado velho e doente para ir para outro lugar. Os seus ataques nervosos tornaram-se mais frequentes e mais prolongados, até ter sido obrigado a resignar-se. Com 72 anos de idade, Georg Cantor morreu num hospital psiquiátrico, no dia 6 de Janeiro de 1918.

 
"The Essence of mathematics is its freedom"
"A Essência da matemática é a sua liberdade"

Georg Cantor

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Pablo Picasso

Li
 Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
 http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/cantor/vidacantor.htm
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres. 
 Sejam abençoados todos os seres.