terça-feira, 22 de maio de 2012

O FUNDAMENTO VÉDICO - MAIOR MANTRA






O Fundamento Védico Para O Maior De Todos Os Mantras
O cantar de Hare Krishna propagado por Sri Caitanya e seus seguidores é
fundamentado nos antigos textos védicos. 

Por Satyaraja Dasa 

A principal oração do Movimento Hare Krishna 
– Hare Krishna, Hare Krishna,
Krishna, Krishna, Hare, Hare /Hare Rama, 
Hare Rama, Rama, Rama, Hare, Hare 
                                                            
– é traduzida como “Ó Senhor! Ó energia do Senhor! Por favor, ocupe-me em
seu Divino Serviço.” Esta oração é tradicionalmente conhecida como o
maha-mantra ou “grande mantra”, porque abrange e supera todos os outros sons  sagrados e porque é uma oração completamente pura e desinteressada: ela pede apenas por serviço ao Senhor Supremo, sem exigir nada em troca.
Sendo assim, é surpreendente que o Srimad Bhagavatam, o Bhagavad-Gita e o Caitanya Caritamrita – os três textos mais importantes do Movimento Hare
Krishna – não citem o mantra sequer uma vez.

 É claro que Srila Prabhupada, em seus significados e traduções, assinala quando um verso faz referência ao maha-mantra, ainda que o texto em sânscrito ou bengali não o mencione explicitamente. Como um acarya, ou um professor exemplar na sucessão discipular, suas explanações incorporam o contexto da vasta gama de ensinamentos védicos, bem como as percepções dos santos e sábios do passado. 

Ainda que textos principais citados acima não incluam referências diretas ao
maha-mantra, eles certamente glorificam o cantar dos santos nomes. Por isso
entendi que seria útil explorar as referências explícitas ao maha-mantra nas
escrituras, para aqueles que desejam saber mais a respeito. Algumas dessas
descobertas encontram-se a seguir. As referências mais antigas incluem o
texto em sânscrito, especialmente para os eruditos que podem ter dúvidas em
relação à tradução. Já as citações mais recentes, extraídas da tradição Hare
Krishna ou Gaudiya Vaisnava, contém apenas o texto em inglês, uma vez que
toda a tradição contemporânea poderá confirmar estas traduções. 

Por que o silêncio?
Até onde sei, nenhum acarya em nossa tradição jamais explicou o porquê dos
textos principais não mencionarem o maha-mantra completo. Talvez os acaryas  não considerassem isso muito importante. Afinal, nossas escrituras
principais glorificam o cantar dos Santos Nomes, mesmo que não mencionando  diretamente o maha-mantra. Além disso, tanto as escrituras quanto os mestres  espirituais da tradição falam sobre a confidencialidade de certos mantras.  Sri Sanatana Gosvami, por exemplo, escreveu em seu comentário sobre o  Brhad-Bhagavatamrta que tais mantras podem ser entoados somente por pessoas  qualificadas, as quais os receberam através de iniciação apropriada. 

Ele
acrescenta que, mesmo quando algumas escrituras discutem sobre estes
mantras, elas frequentemente tentam disfarçar as sílabas exatas ou
dificultar propositalmente a explicação sobre tais mantras para aqueles que
não estão familiarizados com os códigos enigmáticos da literatura
transcendental. Krisnadasa Kaviraja Gosvami, autor do Caitanya Caritamrita,
a biografia mais autorizada de Sri Caitanya, expressa uma ideia semelhante
(Adi 4.231-232): 

“Todas estas conclusões são impróprias para revelação em
público; porém se não as revelarmos, ninguém as entenderá. Portanto, devo
mencioná-las revelando apenas sua essência, assim, os devotos amorosos
poderão entendê-las, mas os tolos não.” 

Em outras palavras, as escrituras e os sábios algumas vezes revelam certos
mantras esotéricos, como o maha-mantra, e outras vezes não. Portanto, a
questão aqui não é porque os textos principais não mencionam o mantra, mas
porque outros textos o fazem. A resposta é, como Krisnadasa Kaviraja Gosvami  diz, para que as almas sinceras possam entendê-lo. Da mesma forma, às vezes  grandes santos em êxtase são incapazes de se conter e, assim, deixam escapar  o maha-mantra. É por estas e outras razões que o mantra completo aparece em textos sagrados e nas escritas dos sábios. Isto posto, não há restrições ao  canto do maha-mantra e, uma vez apropriadamente recebido, a prática de cantá-lo é fácil e plena de bem-aventurança. 

Alguém poderia perguntar: “E daí? Se a tradição ensina que o canto do mantra
Hare Krishna é primordial à prática da consciência de Krishna, que importa
se o maha-mantra não está nos textos mais importantes do movimento?” De
certa forma, não importa mesmo.

 A consciência de Krishna é uma tradição
baseada nas escrituras, com toda a verdade balizada em três autoridades: o
guru, as escrituras e os sábios, especialmente os grandes mestres
espirituais na sucessão discipular. Se estes três não concordarem entre si,
diz a tradição, então haverá algum engano. 

Na tradição Vaisnava, gurus e
sábios atestam a importância do maha-mantra. Mas e as escrituras? Uma
leitura superficial pode sugerir que não, ainda que as referências sejam
altamente sugestivas. Os textos mais importantes falam dos santos nomes, mas  não mencionam diretamente o maha-mantra. É só nas escrituras chamadas pelos  eruditos de “literatura posterior” que o mantra é geralmente encontrado. 

Estudiosos modernos fora da tradição afirmam que os quatro Vedas e os
Upanishads constituem os mais antigos dos textos védicos (chamados sruti),
enquanto os Puranas e os épicos vieram após. Consequentemente, como dizem os teóricos, o Vaisnavismo ou a consciência de Krishna apareceu também  posteriormente, pois sua prática específica é mencionada somente nos “textos posteriores”. 

Estes eruditos chegaram a estas conclusões utilizando sistemas de
verificação próprios, menos confiáveis do que aquele composto por guru,
sábios e escrituras. Eles se utilizam de técnicas de linguística histórica e
comparativa, em conjunto com referências a textos cujas datas são conhecidas com maior precisão. 

Naturalmente que tais métodos são passíveis de erro,
fato que os estudiosos geralmente admitem abertamente.
Praticantes e eruditos de nossa tradição, entretanto, ensinam que a
consciência de Krishna é eterna e que os textos védicos, antigos ou
recentes, são baseados em tradição oral revelada no início dos tempos. O
maha-mantra é, certamente, parte da tradição védica oral. Além disso, o
próprio mantra, assim como as referências a ele, pode ser encontrado em
antigos textos védicos que sobreviveram através dos tempos.
As primeiras referências 

(1) O Kali-santarana Upanishad, o qual é parte do Yajur Veda, declara:

hare krishna hare krishna
krishna krishna hare hare
hare rama hare rama
rama rama hare hare 
iti sodasakam namnam
kali-kalmasa-nasanam
natah parataropayah
sarva-vedesu drsyate 
“Os dezesseis nomes do maha-mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare
Krishna, Krishna, Krishna, Hare, Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama, Rama,
Hare Hare – destroem as iniquidades da era de Kali. Esta é a conclusão final
de todos os Vedas”. 

O contexto da citação acima é importante: o texto é um diálogo entre Brahma, o primeiro ser criado, e seu discípulo Narada, o qual pergunta sobre os meios mais eficazes para obter a liberação na era atual. Brahma responde com o verso acima e, em um verso anterior, ele informa a Narada que o
maha-mantra é “o verdadeiro segredo da literatura védica”, enfatizando assim
a natureza confidencial do mantra e sua importância para a tradição
Vaisnava. 

(2) O Rama-tapani Upanishad (1.6) explica o significado do nome Hari (hare
no maha-mantra): 

harati tri-vidham tapam
janma-koti-satodbhavam
papam ca smaratam yasmat
tasmad dharir iti smrtah 
“O Senhor é conhecido como Hari porque Ele remove os pecados – bem como os três tipos de sofrimento que eles acarretam – daqueles que Dele se lembram. 

Estes são os pecados acumulados ao longo de milhões de nascimentos.”
O Mahabharata (Udiyoga-parva 71.4) explica o significado de do nome Krishna: 

krsir bhu-vacakah sabdo
nas ca nirvrti-vacakah
tayor aikyam param brahma
krsna ity abhidhiyate 
“O radical krs indica a atratividade suprema do Senhor. O sufixo na indica a
alegria suprema. Assim, o nome Krishna indica o Supremo Brahman (espírito),
que é a culminação destas duas características”.
No Padma Purana, o Sata-nama-stotra (8) do Senhor Ramacandra define o nome Rama da seguinte forma: 

ramante yogino ‘nante
satyanande cid-atmani
iti rama-padenasau
param brahmabhidhiyate 
“Os yogues, ou aqueles que desejam conexão com Deus, sentem prazer no Eu
Supremo, o qual se manifesta como a forma absoluta da eternidade,
conhecimento e bem-aventurança. Esta mesma verdade, conhecida como
Parabrahman é também chamada de Rama.” 

(3) O Caitanya Upanishad (versos 11 e 12), o qual é parte do Atharva Veda,
nos diz que o maha-mantra Hare Krishna é formado totalmente com os nomes de Krishna: 

svanama-mula-mantrena sarvam hla-
dayati vibhuh sa eve mulam-mantram
japati haririti krisna iti rama iti 
“O nome de Deus é a raiz de todos os mantras, algo esplêndido que traz
felicidade a todos. Este mantra raiz é entoado com as palavras hari, krsna e
rama”. 

harati hrdaya-granthim vasana-rupam iti harih
krsih smarane tac ca nas tad ubhaya-melanam iti krsnah
ramayati sarvam iti rama ananda-rupah
atra sloko bhavati 
“Hari é aquele que desata o nó no coração (desejo material). Alguém pode
unir-se ao Senhor por lembrar a raiz krs e o sufixo na, os quais formam o
supremo hino de louvor: Krsna. E Rama é aquele que concede prazer a tudo e é  a personificação da bem-aventurança.” 

Porque a palavra hare é o vocativo tanto de hari (um nome de Krishna),
quanto de hara (um nome de Radha), alguns textos, como o acima citado,
interpretam o termo hare do maha-mantra como um apelo a Krishna.
Comentadores posteriores, contudo, insistem que hare, em sua interpretação
mais abrangente e espiritualmente sublime, refere-se a Radha, a eterna
consorte de Krishna e a própria personificação de sua potência de prazer
espiritual. O mestre Gaudiya Vaisnava, Sri Jiva Gosvami, aponta nessa
direção quando, em sua explicação sobre o maha-mantra, no
Maha-mantratha-vyakhya, ele escreve (versos 1 e 2): 

hare krsna hare krsna
krsna krsna hare hare
hare rama hare rama
rama rama hare hare 
sarva-seta-harah krsnas
tasya cittam haraty asau
vaidagdhi-sara-vistarair
ato radha hara mata 

“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna, Krishna, Hare, Hare 
/ Hare Rama, Hare Rama, Rama, Rama, Hare, Hare. 
 
Krishna rouba a mente de todos os seres vivos 

(que é o significado de hari), mas Radharani rouba até mesmo a mente de
Krishna quando ela usa seus talentos espirituais. Portanto, ela é conhecida
como hara, como no maha-mantra.”
(4) O Ananta-samhita, outro texto antigo, nos diz: 

hare krsna hare krsna
krsna krsna hare hare
hare rama hare rama
rama rama hare hare 
sodasaitani namani
dvatrimsad varnakani hi
kalau yuge maha-mantrah
sammato jivatarane
varjayitva tu namaitad
durjanaih parikalpitam
chandobaddham susiddhanta

viruddham nabhyaset padam
tarakam brahma-namaitad
brahmana gurunadina
kalisantaranadyasu
sruti-svadhigatam hareh
praptam sri brahma-sisyena
sri naradena dhimata 

namaitad-uttamam srauta-
paramparyena brahmanah
utsrjyaitan-maha-mantram
ye tvanyat kalpitam padam
mahanameti gayanti 

te sastra-guru langhanah
tattva-virodha-sanprktam
tadrsam daurjanam matam
sravatha pariharyam syad
atma-hitarthina sada 

hare krsna hare krsna
krsna krsna hare hare
hare rama hare rama
rama rama hare hare 
“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna, Krishna, Hare, Hare / 
Hare Rama, Hare  Rama, Rama, Rama, Hare, Hare. 
 
Este mantra de 16 nomes e 32 sílabas é o
maha-mantra para a era de Kali e é através deste mantra que todas as
entidades vivas podem ser liberadas.

 Nunca se deve abandonar este mantra e
adotar outro suposto processo religioso praticado por almas menos
qualificadas, nem tampouco cantar nomes de Krishna inventados que
contradizem as conclusões puras das escrituras ou são repletos de emoções
incoerentes. Sobre este divino maha-mantra que liberta da existência
material, o guru original senhor Brahma disse: ‘O Kali-santarana Upanishad
declarou este mantra como o melhor meio de liberação na era de Kali.’ Tendo
ouvido isto de Brahma, seus filhos e discípulos, começando por Narada, todos
aceitaram o maha-mantra Hare Krishna e, tendo meditado nele, atingiram a
perfeição.” 

(5) No Brahma Yamala tantra, um antigo livro de instruções a respeito de
rituais, encontramos o seguinte: 

harim vina nasti kincat
papani-starakam kalau
tasmal-lokoddharanartham
hari-nama prakasayet 

sarvatra mucyate loko
maha-papat kalau yuge
hare-krsna-pada-dvandvam
krsneti ca pada-dvayam 

tatha hare-pada-dvandvam
hare-rama iti dvayam
tad-ante ca maha-devi
rama rama dvayam vadet 

hare hare tato bruyad
harinama samud dharet
maha-mantram ca krsnasya
sarva papa pranasakam iti 
“Sem Hari não há como erradicar os pecados da era de Kali. Portanto, é
essencial que o nome de Hari (hari-nama) possa reverberar em todos os
mundos. Por esta vibração, todas as dimensões podem ser libertas dos grandes  pecados da era de Kali. Primeiramente, deve-se cantar duas vezes ‘Hare  Krishna’, então, duas vezes ‘Krishna’, então, duas vezes ‘Hare’, então, duas vezes ‘Hare Rama’ e, ao final, ó Mahadevi, deve-se cantar ‘Rama’ duas vezes  e, então, ‘Hare, Hare’. 

Desta maneira, deve-se proferir o hari-nama
maha-mantra de Krishna, o qual destrói todos os pecados.” 

(6) Do Radha Tantra:
srnu matarmahamaye
visva-bija-svarupini
hari namno mahamaye
kramam vad suresvari 
“Ouça-me, ó mãe Mahamaya, semente do universo, senhora dos deuses! Peço-lhe  que, por favor, explique a sequência do hari-nama”. 

hare krsna hare krsna
krsna krsna hare hare
hare rama rare rama
rama rama hare hare 
dvatrmsad aksaranyeva
kalau namani sarvadam
etam mantram suta srestha
prathamam srnuyan narah 

“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna, Krishna, Hare, Hare 
/ Hare Rama, Hare  Rama, Rama, Rama, Hare, Hare. 
 
Ó melhor dos filhos, é esta a forma que você
deve cantar estas 32 sílabas e 16 nomes na era de Kali. Este mantra deve ser
ouvido por todos os seres humanos.” 

(7) Dhyanacandra Gosvami, um dos primeiros seguidores de Caitanya
Mahaprabhu, cita um antigo texto védico que descreve o maha-mantra Hare
Krishna em seu Goura-govindarcana-smarana-paddhati (132-136):
“Há três mantras de Krishna que são muito puros e poderosos. Eles são
famosos por conceder o amor de Deus àqueles que os entoam. O
Sanat-kumara-samhita refere-se ao primeiro mantra: ‘As palavras Hare Krishna
são repetidas duas vezes e, então, Krishna e Hare, ambas separadas, são
repetidas duas vezes da mesma forma. Depois disto, Hare Rama, Rama e Hare são igualmente repetidas duas vezes. 

O mantra, então, flui assim:
 Hare  Krishna, Hare Krishna, 
Krishna, Krishna, Hare, Hare /
 Hare Rama, Hare Rama,
Rama, Rama, Hare, Hare.’” 
A meditação que acompanha este maha-mantra é também encontrada no
Sanat-kumara-samhita: “Sri Krishna brinca nas águas refrescantes do Yamuna
ou na sombra de uma árvore kadamba, na bela floresta de Vrindavana. Ele está  acompanhado pelas vacas, pelos vaqueirinhos e por Sri Radha. Ele é muito  hábil ao tocar a flauta enquanto permanece de pé em uma bela pose curvada em  três partes, sempre concedendo misericórdia e afeição aos devotos.” 

(8) Gopala Guru Gosvami, o sucessor de Dhyanacandra, cita um trecho do
Brahmanda Purana  que trata sobre os nomes no maha-mantra: 

“O Senhor é conhecido
 como Hari porque remove
 a ignorância de seus devotos. 
                                                   
De fato, Ele lhes revela sua real natureza e sua forma pessoal espiritual.
Porque Radha, a alegria de Krishna, atrai a mente de Krishna, ela é
conhecida como Hara. O escuro senhor de olhos de lótus, o verdadeiro mestre
da mais elevada bem-aventurança, aquele que dá prazer a Gokula, o filho de
Nanda, é conhecido como Krishna. Ele também é conhecido como Rama, porque os prazeres da vida conjugal são a essência de Seu ser, porque Ele é a
personificação dos passatempos amorosos e porque Ele traz prazer a Srimati
Radharani.” 

O maha-mantra na literatura recente
Enquanto que o apresentado acima representa algumas referências ao
maha-mantra nos textos védicos mais antigos, a grande maioria das alusões
aparece na vasta literatura posterior de textos vaisnavas. Nestas
referências, o maha-mantra é apresentado ora na íntegra, ora de forma
abreviada, simplesmente pelas palavras Hare Krishna. Aqui vão alguns
exemplos de ambos: 

(1) Rupa Gosvami, um dos principais associados diretos de Caitanya
Mahaprabhu, louva o cantar de Hare Krishna em seu Laghu-Bhagavatamrta (1.4):
                                  “As sílabas Hare Krishna
                     emanadas da boca do próprio Sri Caitanya
                      inundam o universo com o amor a Deus. 
                        Que estes nomes sejam glorificados!”. 
(2) Sri Rupa, que ansiava por obter novamente a presença de Sri Caitanya, o
qual está sempre cantando Hare Krishna, escreve em seu Stavamala, Prathama Caitanyastakam (5): 

“Quando Sri Caitanya Mahaprabhu, cuja língua está sempre dançando por cantar Hare Krishna em voz alta; que conta o número de vezes que canta nos nós da bela tira de pano atada em Sua cintura; cujos olhos são tão grandes que parecem querer alcançar Suas orelhas; e cujos braços se estendem até Seus joelhos, novamente será visível para mim?” 

(3) Baladeva Vidyabhusana, um importante mestre do século XVIII na tradição
Gaudiya Vaisnava, confirma em seu Stava-mala-vibhusana-bhasya que “Hare
Krishna”, no verso de Rupa Gosvami acima citado, se refere ao maha-mantra de 32 sílabas. “O mantra Hare Krishna ressoava na boca de Caitanya Mahaprabhu. 

O mantra composto de 16 nomes e 32 sílabas dançava em Sua língua.”
(4) Raghunatha Dasa Gosvami, um dos famosos seis gosvamis de Vrindavana,
escreveu em seu Saci-Sunvastakam (5): 

“Quando o filho de mãe Saci (Sri Caitanya), que considera os residentes de Bengala como Seus, que os inspirou a cantar Hare Krishna um número prescrito de vezes e que como um pai lhes deu muitas instruções carinhosas, se tornará novamente visível para mim?” 

(5) Sarvabhauma Bhattacarya, um associado íntimo do Senhor Caitanya, afirma em seu Caitanya-satakam (64): “Vendo as pessoas no mundo aflitas pelos pecados da era de Kali, o Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu pessoalmente deu-lhes os santos nomes e instruiu-lhes a executar o canto congregacional deste maha-mantra em voz alta, dançando e tocando instrumentos musicais.” 

(6) O exemplo a seguir do canto do maha-mantra de Sri Caitanya é encontrado no Caitanya-mangala, de Locana Dasa: “Certa vez, Mahaprabhu visitou o lar de um brahmana e abraçou-o. O kirtana que se seguiu fez aquele lar se tornar exatamente como Vrindavana e uma multidão de pessoas se reuniu para ouvir e cantar os santos nomes: 

Hare Krishna, Hare Krishna,
 Krishna, Krishna, Hare,
Hare / Hare Rama, Hare Rama,
 Rama, Rama, Hare, Hare”. 
(7) No Caitanya Bhagavata (2.23.75-78), a primeira biografia do Senhor
Caitanya, Vrndavana Dasa Thakura cita o maha-mantra diretamente: “O Senhor ordenou a todos com grande alegria: ‘Ouçam o maha-mantra dos nomes de Krishna: 

Hare Krishna, Hare Krishna,
 Krishna, Krishna, Hare, Hare / 
Hare Rama, Hare Rama,
 Rama, Rama, Hare, Hare.
 
 Executem japa deste mantra um número fixo de vezes. Através disto, toda perfeição será alcançada. Cantem este mantra a todo momento. Não há nenhuma outra regra’”. 

(8) No Caitanya Bhagavata (1.14.143-147), Vrndavana Dasa Thakura cita as
instruções do Senhor Caitanya a Tapana Misra: “Tudo é obtido por
hari-nama-sankirtana, incluindo o objetivo da vida e os meios para sua
obtenção. Nesta era de Kali, o único meio para liberação é o cantar dos
nomes de Hari. Não há outra maneira, não há outra maneira, não há outra
maneira.

 Hare Krishna, Hare Krishna, 
Krishna, Krishna, Hare, Hare / Hare
Rama, Hare Rama, Rama, Rama, Hare, Hare. 
 
Esta sequencia de nomes é chamada
de maha-mantra. Ela contém 16 nomes do Senhor, consistindo de 32 sílabas. O repetido cantar deste mantra fará despertar no coração a semente do amor
puro a Deus. Assim, pelo cantar, o objetivo da vida e os meios para sua
obtenção serão compreendidos”. 

Conclusão
Os grandes acaryas na sucessão discipular de Sri Caitanya (a linhagem
representada pelo movimento Hare Krishna) têm dado ao mundo numerosas
indicações e instruções sobre o cantar do maha-mantra. 

Ainda que não explicitamente citado nos três textos principais mencionados no início deste artigo, a referência implícita ao mantra permeia toda a tradição. Na verdade, todo o Srimad-Bhagavatam gira em torno de ouvir e cantar Hare Krishna, apresentando, assim como o Bhagavad-Gita, várias referências a hari-kirtana e hari-sankirtana. Ambos os textos glorificam as grandes almas que sabem que o cantar dos santos nomes é a prática principal da vida espiritual. 

Quanto ao Caitanya Caritamrita, a biografia mais aprofundada de
Caitanya Mahaprabhu, cada tópico na vida do Senhor é enfatizada pelo cantar.
Como exemplo, aprendemos que como o maha-mantra alterou Seu destino desde cedo e como Seu cantar inspirou e iluminou outros.
Como dito anteriormente, o maha-mantra é para ser transmitido por um mestre espiritual fidedigno a um discípulo sincero. É certo que a tradição diz que qualquer um pode cantá-lo e que não há regras rígidas a respeito. Mas o
próprio exemplo de Caitanya Mahaprabhu mostra que não foi assim até que ele recebesse o maha-mantra de Isvara Puri, seu preceptor espiritual, e assim
ficasse intoxicado pelo amor a Deus. 

Em outras palavras, o verdadeiro fruto
do mantra é dado por alguém que já saboreou este fruto. Enquanto encorajam o devoto a avançar em direção à iniciação, as escrituras geralmente meramente insinuarão acerca do mantra e sua eficácia, uma vez que seu efeito total somente se desencadeará quando o discípulo se render ao mestre espiritual na sucessão discipular. Vejamos novamente a questão do porquê o maha-mantra não aparece nos textos principais do movimento Hare Krishna. 

Em primeiro lugar, ele era originalmente um sruti mantra, encontrado em textos como o Kali-santarana Upanishad citado anteriormente. Sendo o caso, ele foi considerado um mantra confidencial e, como tal, deveria ser revelado implicitamente ao invés de explicitamente, como atestaram Sanatana Gosvami e Krisnadasa Kaviraja Gosvami. 

Isto explicaria porque o mantra não aparece explicitamente no
Bhagavad-Gita ou no Srimad-Bhagavatam, ainda que estas escrituras enfatizem  a importância de cantar os santos nomes de Krishna. Caitanya Mahaprabhu, no  entanto, liberou a todos o manancial do amor de Deus e, ao assim fazer,  revelou a verdadeira glória do maha-mantra, em termos de sua potência  ilimitada e acessibilidade a todos que o aceitassem. De fato, Ele revelou o  mantra como o benefício especial na presente era de discórdias e hipocrisia. Por que o maha-mantra não é encontrado no Caitanya Caritamrita? 

Krsnadasa Kaviraja Gosvami escreve que ele não iria repetir indevidamente assuntos já  revelados pelo primeiro biógrafo, Vrndavana Dasa Thakura o qual, como já  vimos, já havia mencionado o maha-mantra. Com base na informação explícita  de seus predecessores, Krsnadasa Kaviraja Gosvami escreve muitos versos glorificando o cantar dos santos nomes. 

Quando ele usa palavras como  hari-nama e maha-mantra, seus leitores devem estar cientes sobre o que ele está falando. 

Desta forma, tanto as escrituras como os grandes acaryas às vezes revelam o
maha-mantra completo e às vezes não. Mas uma coisa é certa: aqueles que são sinceros irão, no devido tempo, receber os Santos Nomes e, desta forma,
atingirão a perfeição. 

FIM 
Texto publicado 
na revista Back to Godhead, 
edição de janeiro/fevereiro de 2006. 

Satyaraja Dasa é discípulo de Srila Prabhupada e editor associado da BTG,
tendo escrito mais de vinte livros. Ele vive com sua esposa e filha próximo
à cidade de Nova Iorque. O autor presta seu reconhecimento à pesquisa de
Madhavananda Dasa, que compilou as referências escriturais ao maha-mantra.


Tradução Mahavira Das (HDG)
Revisão Sadhu Sanga Das (DVS) 

 
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Pablo Picasso

Li
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres. 
 Sejam abençoados todos os seres.
 
 

domingo, 20 de maio de 2012

Mozart / Géza Anda, 1968: Piano Concerto No. 17 in G Major, KV 453 - Com...


 

Publicado em 20/05/2012 por


Géza Anda (1925-1976) leads the Camerata Academica des Salzburger Mozarteums and plays piano in this 1967 recording of the Mozart piano concerto No. 17 in G major. Digitized from the LP shown above, issued on the Deutsche Grammophon label, catalogue number 138 783. Piano score fragment (24:02) from the public domain. Slipcase cover can be seen at 22:20.

Allegro (0:01)
Andante (11:56)
Allegretto (22:18)





 

O Concerto em sol maior, K 453

Publicado em 20/05/2012 por

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