quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SARTRE: filósofo francês existencialista



 
Filosofia do Francês Jean Paul Sartre 
em um breve verbete

 A contingência da essência humana segundo Sartre

 
1 – Introdução
Segundo o pensamento filosófico sartreano, a existência precede a essência. O que isso quer dizer? Primeiramente, significa que o homem não possui definição alguma, ele não é nada antes de se fazer algo. Em segundo lugar, que a finalidade da ação do homem e de sua própria existência é se auto-definir segundo um projeto criado em sua subjetividade. 

Sartre inverteu a definição aristotélica
 para cria a partir disso o fundamento principal de sua filosofia. 

Segundo ele, dizer que o homem possui uma essência é dizer que ele é pré-definido por uma lei absoluta e universal que se encontra antes de sua existência, e que sua liberdade está restringida ao campo de possibilidades que essa essência lhe permitiria. Ao contrário, afirmar que o homem primeiro existe e depois se auto-define criando com as suas ações a sua própria essência, é postular a total liberdade humana presente na sua existência mesma. 

Em linhas gerais, a oposição de conceitos revela que para o existencialista a essência humana é contingente, não está determinada; e para o filósofo grego é necessária, implica uma definição a priori. Procurarei mostrar isso explicando primeiro os conceito do existencialismo de Sartre, depois a noção de finalidade de Aristóteles.

2 – Conceitos do existencialismo ateu
A tese nuclear do ensaio
 “O existencialismo é um humanismo” 
de Sartre trata da liberdade.
 Para o pensador, a liberdade é o fundamento primeiro da existência humana. Para efetuar esse empreendimento conceitual, o autor precisou partir do princípio de que Deus não existe para salvaguardar a total liberdade do homem. Não existe nenhum ser que pensou o homem, é ele que pensa primeiro, é ele que se auto-pensa e se auto-define. Esse ateísmo não pretende provar que Deus não existe, mas apenas revelar que mesmo se existisse, o fato do homem ser absolutamente livre não mudaria em nenhum aspecto. Para o filósofo, Deus não criou a essência humana porque Deus mesmo não existe. 

A raiz literária dessa ideia está na obra de Dostoiévski “Os irmão Karamazov” cuja frase é a seguinte 

“Se Deus não existe, tudo é permitido”.
Com isso o homem se encontra totalmente livre para deliberar sobre como ele quer ser e como quer fazer de si o que quiser. Em outros termos, criar a sua própria essência, não apenas se auto afirmando psicologicamente e socialmente, mas definir-se a si mesmo substancialmente.
Na doutrina sartreana, o homem não é um ser em si, mas um ser em ato. 

O homem só “é” quando age. 
O existencialismo afirma 
que o homem é aquilo que ele faz de si. 
A ação é o fator decisivo que estabelece a sua essência. Não existe uma lei moral universal que orienta a ação numa direção ou noutra como escreveu Kant, mas é o próprio homem que cria as suas leis ao deliberar segundo a sua liberdade inevitável. Esse princípio é universal, visto que não é possível evitar a escolha de um compromisso, pois a não-escolha é precisamente uma escolha. Decidir-se pela inação é agir efetivamente de maneira livre.

Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa enfrenta a dolorosa necessidade de escolher entre algo altruísta como dispôr de bens que estão acima do necessário para a sua vida para ajudar vítimas de uma catástrofe ambiental; ou, em contrapartida, realizar um desejo que vem planejando há anos como viajar pelas praias da costa brasileira. É o que o filósofo chama de moral individual e moral coletiva. A primeira delas é concreta, a outra, ambígua, pois pode acontecer que ocorra como o esperado ou não. Sobre elas, ele faz a pergunta: qual das duas é mais útil?

O que seria correto fazer num caso desses, doar a poupança planejada para a viagem ou realizar o sonho de anos? Para Sartre não existe algo “correto” de fazer quando se é livre absolutamente. Independente da decisão que uma pessoa queira tomar num dilema como esse, sempre será a escolha mais correta. Não existe uma pessoa essencialmente altruísta ou egoísta, são as suas ações que a definem de um modo ou de outro. 

Por essa razão, escolher uma terceira via, a de não fazer nada, nem doar nem viajar, é necessariamente uma ação livre, “o homem está condenado à liberdade”. Toda ação também é válida, independente do que se fizer, será um bem feito.

Para chegar a essa posição super-humana, 
o homem precisa abraçar uma responsabilidade absoluta.
 Não é uma “ação particular” que faz o homem ser,
 mas um “compromisso total”. 

Nada no mundo condiciona a sua ação,
 pois ele é plenamente responsável 
pelo que faz de si mesmo. 
O expressão “plenamente responsável” quer dizer, segundo as letras do autor, que quando um homem escolhe ser algo livremente, ele o faz não apenas como uma decisão pessoal que somente diz respeito a ele, mas o faz para toda a humanidade. 

Todas as ações que uma pessoa escolha tomar segundo um compromisso total, isto é, a partir da sua liberdade, é uma escolha que transcende os contorno do indivíduo, sempre será maior do que a própria pessoa que decide, pois toda ação livre está aberta à humanidade, não apenas ao indivíduo que a praticou.

A razão disso está na finalidade da ação (falaremos dela mais detalhadamente na terceira parte). Para o filósofo qualquer coisa que o homem escolher ser é um bem, não há possibilidade de escolher ser algo sem que isso seja um bem, pois a ação prova a liberdade do homem, sem ela não haveria consciência. A ação necessariamente é um bem se o homem é livre, haja vista que não poderia ser um mal algo proveniente da positividade que é a liberdade. Se é um bem, também é para todos, já que ninguém está excluído de exercer a sua liberdade, agir livremente, como vimos acima.

Com isso, nos vemos diante de uns dos conceitos existencialistas mais difundido: a angústia. Diferente de Heidegger que diz que a angústia do homem está no fato de que ele existe para a morte, a filosofia de Sartre vai dizer que o homem é angústia porque é plenamente responsável. 

A angústia está na liberdade 
da escolha e na responsabilidade que ela implica. 
As paixões, por exemplo, não levam o homem a fazer nada, pois ele decide antes de tudo, ele é em tudo responsável, até mesmo pelas sua próprias paixão, ele mesmo escolhe ser afetado pelas paixões que tem.

Além disso, o filósofo também parte do principal conceito metafísico da doutrina cartesiana, o cogito, para defender as suas ideias, entre elas, a da subjetividade. Subjetividade no existencialismo não quer dizer “escolha do sujeito individual por si próprio”, mas que não há conhecimento fora do sujeito. 

 O cogito 
 é a “verdade absoluta da consciência”. 
Descartes estabeleceu as bases do racionalismo e do subjetivismo ao dizer que a prova da existência do ser humano é o pensamento, coisa que na verdade Santo Agostinho já havia feito, entretanto, o racionalista procurou estabelecer esse princípio pensando o homem enquanto homem, isto é, sem as doutrinas teológicas criadas na Idade Média.

Sartre procurou provar que subjetividade não que dizer individualismo, mas, em último caso, intersubjetividade, pois não é apenas o indivíduo que pensa e todo o resto são coisas do mundo, inclusive as demais pessoas com quem ele se relaciona. Intersubjetividade quer dizer que pelo cogito o outro não é uma coisa do plano imanente, isto é, material, mas, sobretudo, é uma liberdade para mim, um “eu-outro”. “Eu”, porque o sujeito que se compreende nesse termo é puramente livre; e “outro”, porque é uma realidade diferente do “eu”. 

Reconhecer que o outro
 possui uma liberdade idêntica a minha é compreendê-lo
 como eu mesmo me compreendo, por essa razão,
 o que existe de mais essencial em mim, 
 também existe no outro fazendo dele 
uma espécie de mim.
Mas como isso é possível se não existe a essência universal do homem? Ora, o filósofo não fala de uma essência universal do homem, mas de condições humanas. São elas que dão ao homem a característica universal de sua existência. A condição humana universal é o “conjunto de limites a priori que esboçam a sua situação fundamental no universo”.

 Isso se prova porque a universalidade do homem não é dada, mas construída por ele mesmo. O homem se realiza pelo compromisso livre que é universal, existente em qualquer tempo em todos os homens. O humanismo existencialista se fundamenta na transcendência, não nos mesmos termos do humanismo clássico, mas num humanismo que postula a transcendência do sujeito.

3– Conceito de finalidade
Como já mencionei, após explicar a inversão sartreana dos conceitos de essência e existência, irei apresentar agora o conceito de finalidade presente na Ética a Nicomaco de Aristóteles. Farei isso com o objetivo de sobrepor a afirmação à refutação, isto é, a tese à antítese, pois tal noção ajudará o leitor a entender porque estaria incorreto a tarefa existencialista de reordenar os conceitos explicados acima. A noção de finalidade esclarecerá, portanto, como a essência deve necessariamente anteceder a existência e como a partir da ideia de finalidade o existencialismo procurou provar o contrário da realidade humana.

Para iniciar a etapa, é preciso compreender que a finalidade de uma coisa é uma das principais preocupações da especulação filosófica. Trataremos do termo coisa nesse ensaio não exatamente como a definição clássica, isto é, o antagônico de representação como foi discernido pelas escolas realista e idealista no decorrer da modernidade. Usaremos o termo principalmente para estabelecer o objeto de relação que o sujeito se presta a fazer. Todas as coisas diferentes do sujeito são, portanto, coisas que se relacionam a ele. Entretanto, também é possível incluir o próprio sujeito como uma coisa, pois ele, ao contrário do que pretendeu Descartes, também é objeto de si mesmo. 

 A definição mais próxima seria,
 portanto, a de que toda coisa seria um existente. 
Sendo assim, dizemos que toda coisa possui telos, isto é, a causa final de sua existência. A finalidade de uma coisa é realizar aquilo para o qual ela existe. A finalidade da ciência é a verdade, a da religião é o sagrado, a da arte é o belo, etc., todas as coisas existentes estão direcionadas a outras superiores, suas finalidades estão localizadas em princípios que por sua vez estão acima do nível imanente das coisas, em outras palavras, estão em princípios transcendentais. Esses transcendentais são bens em si, o destino último absoluto do qual as outras se projetam. A verdade alcançada pela ciência, o sagrado contemplado pela religião, o belo construído pela arte, são todos universais e pertencem a ordem transcendental.

Qual é, portanto, a finalidade da existência humana? Para Aristóteles, o telos humano está na sua ação ética que destina-se ao sumo bem, isto é, a virtude que procura a felicidade. Essa é a realização do telos do homem. Mas, como é adquirida a felicidade? Pela aprendizagem, isto é, pela via imanente? Ou talvez por providência divina, pela via transcendente?

Para Aristóteles, a felicidade é uma atividade virtuosa da alma, parte do material, mas destina-se ao espiritual, isto é, mesmo se for adquirida de forma imanente pela virtude sempre está destinada ao transcendente. É “algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da ação”.

A felicidade só é adquirida pelo homem porque este se volta ao espiritual. Os animais não são felizes segundo Aristóteles porque não são capazes de buscar o sumo bem pela ética. Pode-se falar de uma felicidade natural que visa apenas a realidade imanente das experiências sensíveis. Os animais poderiam desfrutar desse postulado, mas o homem, devido a sua natureza incongruente, não se contenta com esse tipo de felicidade. Cercado pela realidade imanente, o homem anseia pelo transcendente, a realização de seu telos não está na sua própria natureza.

 O ser humano não se realiza
 em sua dimensão natural. A plenitude de sua vida 
 não está na suas definições imanentes; 
a plenitude da vida humana supera o próprio do homem
enquanto ser natural.
Toda existência possui um princípio espiritual chamado essência. A essência dá a existência o seu fundamento inicial e o sustentáculo da sua continuidade. Existência é o fato de um ser existir, a idéia que se faz da existência e que lhe confere realização é a essência. Por exemplo, em tempos longínquos, antes do homem inventar a roda, ele primeiro a pensou. A roda já existia em princípio na sua forma substancial como essência, depois foi realizada materialmente de fato como existência. Em primeiro lugar está a essência, depois a existência.

No campo humano ocorre o mesmo, o que realiza a existência humana é a sua essência. A felicidade, telos humano, não pode estar na própria existência do homem. Dito de outro modo, a existência humana não pode ser a fonte da felicidade do homem. Analogamente, a felicidade não está na matéria. Esperar encontrar a felicidade no imanente é apostatar-se da realização do telos, é experimentar o sentimento de angústia idealizado pelo existencialismo ateu. A felicidade é o princípio da existência humana, pois para ela a ação humana se volta, para a sua própria essência. Por isso dizemos que essencialmente o homem é feliz ou que a essência do homem é a felicidade.

O existencialismo ateu por sua vez inverteu essa ordem e postulou a liberdade incondicional do homem em outro contexto. Para Sartre, a existência precede a essência, isto é, o homem primeiro existe e depois cria para si a sua própria essência. O homem é uma coisa oca que se preenche pela sua própria vontade. Como é possível o homem sendo nada fazer-se algo por si mesmo? É na verdade uma tese absurda. É apodítico que haja uma essência antecessora da existência, pois o homem não pode simplesmente existir e depois se autodefinir. A definição já existe, sem ela não poderia existir. É a definição anterior a existência do homem que lhe permite buscar aquilo que ele é, o seu telos.
Aristóteles. Ética a Nicômaco, São Paulo, Abril, 1973
Sartre, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo, São Paulo, Abril, 1973
 Li-Sol-30
Fontes:
Enviado por em 15/01/2007
 Licença padrão do YouTube 
 http://espacocult.wordpress.com/2011/03/05/a-contingencia-da-essencia-humana-segundo-sartre/
Sejam felizes todos os seres.Vivam em paz todos os seres.
Sejam abençoados todos os seres.

Filosofia Existencialista de Sartre- Franklin Leopoldo e Silva -25:02



 

Este encontro trás uma bela exposição
 sobre o pensamento existencialista do pensador
 francês Jean Paul Sartre, é importante perceber 
como o filósofo desenvolve a sua concepção filosofia
 sobre a existência do homem na realidade concreta 
 e também subjetiva.

Jean-Paul Sartre – Vida e Obra  

“A Filosofia aparece a alguns como um meio homogêneo: os pensamentos nascem nele, morrem nele, os sistemas nele se edificam para nele desmoronar. Outros consideram-na como certa atitude cuja adoção estaria sempre ao alcance de nossa liberdade. Outros ainda, como um setor determinado da cultura. A nosso ver, a Filosofia não existe; sob qualquer forma que a consideremos, essa sombra da ciência, essa eminência parda da humanidade não passa de uma abstração hipostasiada.”

O texto acima constitui as linhas iniciais do livro Questão de Método, escrito, paradoxalmente, por um homem que jamais deixou de fazer de todos os momentos de sua vida uma permanente reflexão sobre os problemas fundamentais da existência humana.
Jean-Paul Sartre nasceu em Paris, no dia 21 de junho de 1905. O pai faleceu dois anos depois e a mãe, Anne-Marie Schweitzer, mudou-se para Meudon, nos arredores da capital, a fim de viver na casa de Charles Schweitzer, avô materno de Sartre. Sobre a morte do pai, escreverá mais tarde: “Foi um mal, um bem? Não sei; mas subscrevo de bom grado o veredicto de um eminente psicanalista: não tenho Superego”.

Seja como for, talvez a ausência da figura paterna em sua vida possa explicar por que Sartre se tornou um homem radicalmente livre, tomada a expressão no sentido que ele lhe dará posteriormente: não existe uma natureza humana, é o próprio homem, numa escolha livre porém “situada”, quem determina sua própria existência.

Outro traço marcante na formação de Sartre foi a imaginação criativa, alimentada pela leitura precoce e intensiva: “...por ter descoberto o mundo através da linguagem, tomei durante muito tempo a linguagem pelo mundo. Existir era possuir uma marca registrada, alguma porta nas tábuas infinitas do Verbo; escrever era gravar nela seres novos foi a minha mais tenaz ilusão , colher as coisas vivas nas armadilhas das frases...” Como conseqüência, aos dez anos de idade quis tornar-se escritor e ganhou uma máquina de escrever. Seria seu instrumento de trabalho por toda a vida.

Em 1924, aos dezenove anos de idade, Sartre ingressou no curso de filosofia da Escola Normal Superior, onde não foi aluno brilhante, mas muito interessado, especialmente pelas aulas de Alain (1868-1951), que dedicava atenção particular à discussão do problema da liberdade. Na Escola Normal, Sartre conheceu Simone de Beauvoir (1908 - 1986), “uma moça bem-comportada” que lhe afirmou : “A parti r de agora, eu tomo conta de você”. Desde então, nunca mais se separaram.

Terminado o curso de filosofia, em 1928, Sartre teve de prestar o serviço militar e o fez em Tours, na função de meteorologista Depois disso obteve uma cadeira de filosofia numa escola secundária do Havre, cidade portuária. Nessa época escreveu um romance, A Lenda da Verdade, recusado pelos editores. Em 1933, passou um ano em Berlim, estudando a fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938), as teorias existencialistas de Heidegger e Karl Jaspers (1883-1969) e a filosofia de Max Scheller (1874-1928). A partir desses autores, Sartre foi levado a obras de Kierkegaard (1813-1855). Apoiado nessas referências principais, Sartre elaborou sua própria versão da filosofia existencialista.

Na Alemanha, Sartre iniciou a redação de Melancolia, romance mais tarde concluído e intitulado A Náusea. De volta à França, publicou, em 1936, A Imaginação e A Transcendência do Ego, trabalhos marcados por forte influência da fenomenologia. Em 1938, foi editada A Náusea. Um ano depois, uma coletânea de contos,  O Muro, e o ensaio Esboço de uma Teoria das Emoções; em 1940, mais um ensaio, O Imaginário, que, como o anterior, utilizava  o método fenomenológico. 

O “engajamento” existencialista 

            Ao estourar a Segunda Guerra Mundial, Sartre foi convocado para servir como meteorologista na Lorena. Em junho de 1940, caiu prisioneiro e foi encerrado no campo de concentração de Trier, Alemanha. Cerca de um ano mais tarde, conseguiu escapar e, na primavera de 1941, encontrou-se, em Paris, com Simone de Beauvoir.

Em Paris, Sartre fundou o grupo Socialismo e Liberdade, a fim de colaborar com a Resistência, produzindo panfletos clandestinos contra a ocupação alemã e contra os colaboracionistas franceses. Em março de 1943, encenou sua primeira peça teatral, intitulada As Moscas, uma lenda grega, segundo o programa. Na verdade, todos os elementos da peça funcionavam simbolicamente: o reino de Agamenão era a França ocupada; Egisto, o comando alemão que depusera ás autoridades francesas; Clitemnestra, os colaboracionistas; a praga das moscas, o medo de setores cada vez mais amplos da população; o gesto final de Orestes, eliminando a praga das moscas, uma exortação à luta contra os alemães.

No mesmo ano, Sartre publicou um volumoso ensaio filosófico, iniciado em 1939: O Ser e o Nada, obra fundamental da teoria existencialista. Em 1945, uma nova peça teatral, Entre Quatro Paredes, põe em cena personagens que vivem os dramas existenciais abordados por Sartre nas obras teóricas. Os romances que escreveu na mesma época fazem o mesmo: A idade da Razão, Sursis, Com a Morte na Alma.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, Sartre dissolveu o movimento Socialismo e Liberdade, por corresponder apenas a uma necessidade da Resistência, e fundou a revista Os Tempos Modernos, juntamente com Merleau-Ponty (1908-1961), Raymond Aron (1905-1983) e outros intelectuais. Na revista apareceram os trabalhos mais diversos, colocando e analisando os principais problemas da época, sem qualquer espírito sectário.

Em 1946, diante das críticas à sua filosofia existencialista, exposta em O Ser e o Nada, Sartre publica O Existencialismo é um Humanismo, onde mostra o significado ético do existencialismo. No mesmo ano, publica também duas peças, Mortos sem Sepultura e A Prostituta Respeitosa e o ensaio Reflexões Sobre a Questão Judaica, onde defende a tese de que a emancipação dos judeus só será possível numa sociedade sem classes. Em 1948, encena As Mãos Sujas e, três anos depois, O Diabo e o Bom Deus. No plano da ação política, política essa época marca a aproximação de Sartre do Partido Comunista, ao qual acaba por filiar-se, em 1952. A intervenção soviética na Hungria, em 1956, leva-o, porém, a romper com o Partido e escrever um artigo, O Fantasma de Stálin, no qual explica sua posição, em face dos desvios do espírito do marxismo por parte das autoridades soviéticas.

Nos anos seguintes, Sartre continuaria sendo, ao mesmo tempo, um homem de ação e de pensamento. Em 1960, publica um extenso trabalho, ho, a Crítica da Razão Dialética, precedido ido pelo ensaio Questão de Método, nos quais se encontram reflexões no sentido de unir o existencialismo e o marxismo. A obra literária também não cessa e no mesmo ano é estreada a peça Seqüestrados de Altona, cujo tema é o problema do colonialismo francês na Argélia, embora a ação transcorra na Alemanha nazista. 

O interesse pelo problema argelino liga-se, em Sartre, aos problemas mais gerais do Terceiro Mundo. Viaja para Cuba e para o Brasil (1961) e vê no conflito vietnamita um alargamento “do campo do possível” por parte dos revolucionários vietcongs.

Em 1964, surpreende seus admiradores com As Palavras, análise do significado psicológico e existencial de sua infância. No mesmo ano é-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura, mas ele o recusa. Receber a honraria significaria reconhecer a autoridade dos juízes, o que considera inadmissível concessão.

A carreira Literária de Sartre parecia a muitos ter-se encerrado com As Palavras. Em 1971, porém, Sartre surpreende de novo seu público, com a primeira parte de um extenso estudo sobre Flaubert, L'Idiot de Famille.
JEAN-PAUL SARTRE

Itinerário do pensamento sartreano 

Do ponto de vista estritamente filosófico, o itinerário do pensamento de Sartre inicia-se com A Transcendência do Ego, A Imaginação, Esboço de uma Teoria das Emoções e O Imaginário, publicados entre 1936 e 1940. Neles encontram-se aplicações do método fenomenológico formulado por Husserl, ao mesmo tempo que o autor se afasta do mestre e chega a criticar algumas de suas posições. Mas a obra na qual se encontra a filosofia existencialista que celebrizou Sartre é O Ser e o Nada.

O Ser e o Nada subintitula-se ensaio de ontologia fenomenológica, o que desde o início define a perspectiva metodológica adotada pelo autora A abordagem proposta pretende não confundir o objetivo do livro com as metafísicas tradicionais. Estas sempre contrastaram ser a aparência, essências subjacentes à realidade e fenômenos, o que estaria atrás das coisas e as próprias coisas como suas manifestações. 

A ontologia fenomenológica superaria essa dual idade pela descrição do ser como aquilo que se dá imediatamente, ou seja, não propondo explicar a experiência humana por referência a uma realidade extrafenomenal. Nesse sentido, a ontologia fenomenológica seria idêntica a outras espécies de descrições fenomenológicas, como as que o próprio Sartre realizou com relação às emoções e ao imaginário. 

Para Sartre, o dualismo de ser e parecer não tem mais “direito de cidadania na filosofia”. O ser de um existente qualquer seria precisamente aquilo que parece e não existiria outra real idade fora do fenômeno: 

“O fenômeno pode ser estudado
 e descrito enquanto tal, pois ele é absolutamente
 indicativo de si mesmo”. 
Isso não quer dizer que o fenômeno não seja verdadeiramente um ser. Para Sartre, o ser do fenômeno é posto pela própria consciência e esta tem como caráter essencial a intencionalidade. Em outros termos, a consciência visa a um objeto transcendente, implicando, portanto, a existência de um ser não-consciente. Poder-se-ia então concluir que existem dois tipos de ser: o ser-para-si (consciência) e o ser-em-si (fenômeno).

Do ser-em-si somente se pode dizer que ele “é aquilo que é”. Isso significa que o “ser-em-si é opaco para si mesmo”, nem ativo nem passivo, sem qualquer relação fora de si, não derivado de nada, nem de outro ser: o ser-em-si simplesmente é. Daí o caráter de absurdo que o ser-em-si carrega como sua determinação fundamental. A densidade opaca, o absurdo do ser-em-si provocaria no homem o mal-estar, que Sartre denomina náusea.

Para Sartre, o ser-para-si, a consciência, é radicalmente diferente, definindo-se “como sendo aquilo que não é e não sendo aquilo que ele é”. Enquanto o ser-em-si é inteiramente preenchido por si mesmo e sem nenhum vazio, a consciência é constituída por uma descompressão do ser. A consciência é presença para si mesma, o que supõe que uma fissura se instala dentro do ser. Essa fissura, ou descolamento, é a marca do nada no interior da consciência.

 O nada é um “buraco” 
mediante o qual se constitui o ser-para-si, 
e o fundamento do nada é o próprio homem: 
“mediante o homem é que o nada irrompe no mundo”.
 
O ser-para-si conteria, portanto, uma abertura e seria precisamente essa abertura a responsável pela faculdade do para-si no sentido de sempre poder ultrapassar seus próprios limites. Enquanto o ser-em-si permaneceria fechado dentro de suas próprias fronteiras, o ser-para-si ultrapassar-se-ia perpetuamente, e esse poder de transcendência seria expresso através das formas do tempo. Em outros termos, o ser-para-si seria um ser para o futuro, seria espontaneidade criadora.

Segundo Sartre, o tempo é também expressão de mistura entre o em-si e o para-si e essa mistura constitui a existência humana. Dentro dessa perspectiva, o passado não existe, a não ser enquanto ligado ao presente; todo indivíduo pode afirmar: eu sou meu passado e no momento de minha morte não serei mais do que o meu passado que, agora, é meu presente. O passado, pensa Sartre, é a marca do em-si.

 Enquanto o homem é consciente de si mesmo, 
no presente, ele vive segundo o modo do para-si; 
contudo, o seu passado tem todas as características do em-si.
 
 Da mesma forma como o corpo humano das sereias termina em cauda de peixe, a existência humana constitui-se, sobretudo, pela espontaneidade da consciência, mas encontra atrás de si um ser que tem toda a fixidez de uma coisa qualquer do mundo.

Apesar disso, afirma Sartre, não é possível ver na consciência algo distinto do corpo: Este não é uma coisa que se liga exteriormente à consciência; pelo contrário, é constitutivo da própria consciência. A consciência é, estruturalmente, intencional e, portanto, relação com o mundo; o corpo exprime a imersão no mundo, característica da existência humana. O corpo é um centro, em relação ao qual se ordenam as coisas do mundo e, por isso, constitui uma estrutura permanente que torna possível a consciência. Sartre vai mais longe em sua interpretação, dizendo que o corpo é a própria condição da liberdade. Não existe liberdade sem escolha e o corpo é precisamente a necessidade de que haja escolha, isto é, de que o homem não seja imediatamente a total idade do ser. O corpo é, por conseguinte, tanto a condição da consciência como consciência do mundo, quanto fundamento da consciência enquanto liberdade.

Dramas da liberdade 

A teoria sartreana do ser-para-si conduz a uma teoria da liberdade. O ser-para-si define-se como ação e a primeira condição da ação é a liberdade. O que está na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser. O em-si, sendo simplesmente aquilo que é, não pode ser livre. A liberdade provém do nada que obriga o homem a fazer-se, em lugar de apenas ser. Desse princípio decorre a doutrina de Sartre, segundo a qual o homem é inteiramente responsável por aquilo que é; não tem sentido as pessoas quererem atribuir suas falhas a fatores externos, como a hereditariedade ou a ação do meio ambiente ou a influência de outras pessoas. Por outro lado, a autonomia da liberdade, enquanto determinação fundamental e radical do ser-para-si, vale dizer do homem, faz da doutrina existencialista uma filosofia que prescinde inteiramente da idéia de Deus. Sartre tira todas as conseqüências desse ateísmo, eliminando qualquer fundamento sobrenatural para os valores: é o homem que os cria.

 A vida não tem sentido algum 
antes e independentemente do fato de o homem viver;
 o valor da vida é o sentido que cada homem escolhe para si mesmo. 
 
Em síntese, o existencialismo sartreano é uma radical forma de humanismo, suprimindo a necessidade de Deus e colocando o próprio homem como criador de todos os valores.

Ao lado das análises volumosas e rigorosamente técnicas de O Ser e a Nada, nas quais se encontra exposta a filosofia existencialista, Sartre expressou seu pensamento através de várias obras I literárias,

que o colocam como um dos maiores escritores do século XX. Nelas encontram-se todos os temas fundamentais de sua concepção do homem, real realizados no plano concreto das personagens, suas ações e suas situações existenciais.

Antoine Roquentin, personagem principal de A Náusea (1938), vive sozinho, sem amigos, sem amante, nada lhe importando, nem os outros homens, nem ele mesmo; o mundo para ele não tem nenhuma razão de ser e é absurdo porque composto de seres em-si: a cidade, o jardim, as árvores.

Pablo Ibietta, republicano espanhol, personagem central de O Muro, vive uma das “situações-limite” descritas por Sartre: momentos de intensificação de conflitos sociais e individuais, quando o homem é obrigado a fazer uma escolha e afirmar sua liberdade radical. Pablo Ibietta, preso e torturado pelos fascistas de Franco, vê postas à prova as virtudes da coragem, fidelidade e sangue-frio. O próprio Sartre  viveu uma dessas “'situações-limite”, quando preso num campo de  concentração nazista, em 1940, do qual conseguiu fugir, fazendo sua escolha: participar da resistência ao invasor alemão.

O problema da ação e da liberdade constitui o tema da trilogia de romances Os Caminhos da Liberdade. No primeiro, A Idade da Razão (1945), as questões individuais predominam, a história e a política são panos de fundo. Mathieu Delorme, jovem professor de filosofia, procura a liberdade pura, sem compromisso de qualquer espécie; Brunet, ao contrário, personifica a renúncia da liberdade pessoal em favor do engajamento político; Daniel ilustra a tese gideana da liberdade como ato gratuito, sem qualquer motivo; Jacques abandona os sonhos juvenis de liberdade para casar-se, ter um trabalho, viver uma vida “regular”. 

No segundo volume da trilogia, Sursis (1945), os acontecimentos políticos revelam que os projetos de vida individuais são, na verdade, determinados pelo curso da história, tornando-se ilusória a busca da liberdade num plano puramente pessoal: a liberdade é sempre vivida "em situação" e realizada no engajamento de projetos voltados para interesses humanos comunitários. Apenas um compromisso com a história pode dar sentido à existência individual. Em Com a Morte na Alma (1949), último romance da  trilogia, trilogia, Mathieu ilustra a tese do engajamento gratuito; ele arrisca a própria vida apenas para retardar algumas horas a investida das tropas alemãs.

Outras obras literárias de Sartre ilustram as teses existencialistas. Canoris, personagem da peça Mortos sem Sepultura (1946), é um homem de ação, pronto para enfrentar a morte pela causa da liberdade.  Hugo, nas Mãos Sujas (1948), é um  intelectual da classe média, engajado no Partido Comunista, não “por convicção” mas para satisfazer sua necessidade de ação. Na peça O Diabo e o Bom Deus (1951), Goetz é um nobre da Idade Média que abandona seus privilégios para fazer o bem aos camponeses. Inspirados nesse exemplo, os camponeses rebelam-se contra todos os senhores feudais e empregam a violência. Goetz acaba por concluir que, para transformar o mundo, a violência, às vezes, é necessária; é preciso “ter as mãos sujas”, para combater a opressão; 

o Bem abstrato e sobrenatural 
nada consegue realizar, só o próprio homem 
é criador de sua liberdade.

Existencialismo e marxismo 

O homem enquanto ser-em-situação, a  necessidade de engajamento, a responsabilidade pessoal por todas as ações e projetos de vida e, sobretudo, a liberdade como raiz fundamental da pessoa humana são as coordenadas do pensamento existencialista de Sartre. As obras puramente teóricas expõem seus fundamentos filosóficos, e o teatro, o romance e o conto revelam concretamente essas idéias. Por outro lado, a própria vida do autor, principalmente depois de 1940, quando passou a participar ativamente dos acontecimentos políticos de seu tempo, também é testemunho de suas teses.

As posições filosóficas iniciais de Sartre sofreram transformações, à medida que o filósofo buscou inserir o existencialismo numa concepção mais ampla. Essas transformações derivaram, por um lado, do próprio existencialismo sartreano, que constitui uma filosofia “aberta”, e, por outro, do engajamento social e político do filósofo. Do ponto de vista da fundamentação teórica, essa nova concepção de Sartre encontra-se em Questão de Método e Crítica da Razão Dialética, publicadas em 1960.

Nessas obras, o problema fundamental colocado pelo autor é saber se é possível constituir uma antropologia ao mesmo tempo estrutural e histórica. Em outros termos, o objetivo visado por Sartre é saber se há possibilidade de se reencontrar uma compreensão unitária do homem, para além das várias teorias, das várias técnicas, das várias ciências que o investigam. Sartre, contudo, não pretende inventar esse novo saber do homem. Não se trata de opor à tradição uma nova filosofia, capaz de fornecer soluções para os problemas que as antigas doutrinas sobre o homem não conseguiram resolvera Esse novo saber já existe segundo Sartre e circula anonimamente entre os homens: o marxismo. O marxismo, para Sartre, é a filosofia insuperável do século XX, “é o clima de nossas idéias, o meio no qual estas se nutrem... a totalização do saber contemporâneo”, porque reflete a práxis que a engendrou. Na mesma linha de idéias, Sartre afirma que, depois da morte do pensamento burguês, o marxismo é, por si só, “a cultura, pois é o único que permite compreender as obras, os homens e os acontecimento i mentos”.

Sartre, contudo, não quer se referir ao marxismo oficial, tampouco pretende revisar ou superar as obras de Marx, pois para ele o marxismo supera-se a si mesmo, sendo uma filosofia que, por conta própria, se adapta às transformações sociais. Por outro lado, também não pretende voltar ao materialismo dialético puro e simples, pois este – pensa Sartre – não conseguiu dar conta das ciências, que permanecem ainda no estágio positivista. Também não se trata do materialismo histórico exclusivamente. Separar o materialismo dialético do materialismo histórico constituiria uma divisão artificial dos domínios do saber e contrariaria o espírito do marxismo, que pretende ser um projeto de totalização do conhecimento.

Dentro da concepção sartreana de que o marxismo constitui a “filosofia de nosso tempo”, o existencialismo é concebido como “um território encravado no própria marxismo” que, ao mesmo tempo, o engendra e o recusa. O marxismo de Sartre é, assim, um marxismo existencialista, dentro do qual o existencialismo seria apenas uma ideologia. Um segundo aspecto de sua doutrina consistiria no modo pelo qual Sartre procura resolver o problema das relações materiais de produção, através do projeto existencial. O que não significa que se trate de um existencialismo tingido de marxismo, posto que o existencialismo esteja “encravado” no marxismo. Significa antes que, se o saber é marxista, sua linguagem pode ser a linguagem do existencialismo. Ao afirmar que o marxismo “é a filosofia insuperável de nosso tempo”, Sartre não faz dela uma filosofia eterna. A rigor afirma , o marxismo deverá ser superado quando existir “para todos uma margem de liberdade real além da produção da vida”. Pode-se imaginar, no futuro, num universo de abundância, uma filosofia que seja apenas uma filosofia da liberdade; mas a experiência atual não permite sequer imaginá-la.
 

Cronologia 

1905 – Jean-Paul Sartre nasce em Paris, a 21 de junho.
1907 – Morte de seu pai: Muda se para a casa da avó materna, em Meudon; retorna a Paris quatro anos depois.
1917 – Em novembro, os comunistas conquistam o poder na Rússia. 1922 – Mussolini, na Itália, instaura o regime fascista.
1924 – Sartre matricula-se na Escola Normal Superior, em Paris. Conhece Simone de Beauvoir.
1931 – É nomeado professor de filosofia no Havre.
1933 – Hitler instaura o regime nazista na Alemanha.
1936 – Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego.
1938 – Publica A Náusea.
1939 – Eclode a Segunda Guerra Mundial.
1940 – Servindo na guerra, Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração.
1941 – Liberto, volta a França e entra para a Resistência. Funda o movimento Socialismo e Liberdade.
1943 – Publica O Ser e o Nada.
1945 – Fim da Segunda Guerra Mundial. Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda, com Merleau-Ponty, a revista Les Temps Modernes.
1952 – Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.
1956 – Rompe com o Partido Comunista. Escreve O Fantasma de Stálin.
1960 – Sartre publica Crítica da Razão Dialética.
1964 – Publica As Palavras. Recusa o Prêmio Nobel de Literatura.
1968 – Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo, Sartre põe-se ao lado dos estudantes nas barricadas.
1970 – Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple, em protesto à prisão de seus diretores.
1971 – Publica O Idiota da Família.
1973 – Colabora na fundação do jornal libertário Libértacion.
1980 Morre Jean-Paul Sartre.
 
Bibliografia:
SARTRE – Os Pensadores – Ed. Abril – Consultoria: Marilena Chauí

 Li-Sol-30
Fonte:
 *Fonte do Vídeo: Canal jlsndssntsl.
Enviado por em 31/07/2011
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Sejam felizes todos os seres.Vivam em paz todos os seres.
Sejam abençoados todos os seres.
 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

BASES TERAPÊUTICAS DA LUZ, DA COR E DO SOM - JS Bach Sacred Cantatas BWV 71,76,10,Leusink - 1:11:00


 CAPÍTULO XII
BASES TERAPÊUTICAS DA LUZ, DA COR E DO SOM
 
Deus é Luz
Cada vez que meditamos nessas três palavras, nos banhamos em uma fonte espiritual de profundidade insondável e cada vez que repetimos esta meditação, mais mergulhamos na profundeza divina e mais nos aproximamos do nosso Pai que está nos céus.
Cada ano que passa, com a ajuda dos mais potentes telescópios que o engenho e a habilidade mecânica do homem foram capazes de construir para penetrar nas profundezas do espaço, torna-se mais evidente que a Luz é infinita porque Deus de onde ela provém, também é infinito.

Verdadeiramente 
Deus é Uno e indivisível. 
Desenvolve dentro do Seu Ser tudo quanto existe, 
assim como a Luz branca contém todas as cores. 
Mas aparece tríplice em manifestação, da mesma maneira que a luz branca é refratada nas três cores primárias: Azul, Amarelo e Vermelho. Seja onde for que virmos estas três cores, elas são símbolos do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os raios primários da vida divina se difundem ou irradiam do Sol e produzem a Vida, a Consciência e a Forma em cada um dos portadores de luz, os planetas, chamados "os Sete Espíritos ante o Trono". Seus nomes são: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano.

Cada um dos 7 Planetas recebe a luz Solar de maneira diferente de acordo com sua proximidade da órbita central e a constituição da sua atmosfera e dos seres em cada um deles e conforme o estado de seu desenvolvimento, havendo afinidade por alguns raios solares. Absorvem a cor ou as cores que lhes são afins e refletem o resto sobre os demais planetas. Estes raios refletidos levam em si o impulso da natureza dos seres com que estiveram em contato.

Assim a luz e a vida divinas entram em contato com cada planeta, seja provindo diretamente do Sol, ou, seja refletida de algum dos outros seis planetas irmãos e da mesma maneira que a brisa do verão que passou pelos campos floridos, leva consigo a fragrância combinada de todas as flores, assim também as sutis influências do Jardim de Deus nos trazem os impulsos combinados de todos os Espíritos e nessa luz multicolorida vivemos, nos movemos e temos o nosso ser.

Os raios que procedem diretamente do Sol produzem iluminação espiritual, ao passo que os raios refletidos pelos demais planetas aumentam a consciência e o desenvolvimento moral, enquanto que os raios refletidos pela Lua produzem crescimento físico.
Mas assim como cada planeta só pode absorver certa quantidade de uma ou mais cores, de acordo com o estado geral da Evolução que nele haja, assim também cada ser que há na terra, seja mineral, vegetal, animal ou humano, pode absorver e aproveitar só certa quantidade dos vários raios que se projetam sobre a Terra. O resto não os afeta nem lhes produz sensação, de maneira análoga ao que ocorre com os cegos que não tem consciência da luz nem da cor que existem ao seu redor.

A Luz Branca do Sol contém as sete cores do espectro. O ocultista, porém, vê até doze cores existindo cinco entre o vermelho e o violeta, além do vermelho, laranja, amarelo, verde, etc., do espectro visível. Quatro dessas cores são totalmente indescritíveis, mas a quinta - isto é, a que se encontra no meio das cinco - tem a cor da flor do pessegueiro recém aberta. Esta é a cor do corpo vital. Os clarividentes treinados que a descrevem como azul acinzentado ou vermelho acinzentado, etc., estão tentando descrever uma cor que não tem equivalente no Mundo Físico, pelo que se vêem obrigados a usar o símile que lhes parece mais aproximado na nossa linguagem.

Quando se misturam as três cores primárias aparecem quatro cores adicionais; as três cores secundárias: laranja, verde e púrpura, cada uma resultante da mistura de duas cores primárias e uma cor (o índigo) que contém toda a gama das cores, formando assim as sete cores do espectro. (Vermelho e amarelo dão o alaranjado; azul e amarelo dão o verde; azul e vermelho formam a púrpura.)

A cor de Marte é vermelha; a de Vênus, amarela; a de Mercúrio, violeta; a da Lua, verde; a do Sol, alaranjada; a de Júpiter, azul; a de Saturno, índigo; e a de Urano, amarela. Podemos combinar estas cores para obter delas o efeito desejado. Na realidade, é a cor complementar que se vê no Mundo do Desejo que produz o efeito das cores físicas. Se desejamos restringir alguém em quem Marte predomine demais, devemos utilizar as pedras, as cores e os metais de Saturno, que serão úteis, mas se queremos ajudar alguém que seja melancólico e taciturno, lançaremos mão das pedras, cores e metais de Marte para favorecê-lo.

No Mundo Físico o vermelho tende a excitar e dar energia, enquanto que o verde tem efeito calmante e refrescante, mas sucede o contrário quando vemos o assunto do ponto de vista do Mundo do Desejo. Lá, a cor ativa é a complementar e é a que tem, sobre nossos desejos e emoções, o mesmo efeito que atribuímos à cor física. Falamos do ciúme, gerado pelo amor impuro, como de um monstro de olhos verdes.
Observando a aura das pessoas, o clarividente desenvolvido observa a cor vermelha da ira, o cinzento do medo, o azul escuro da preocupação, o vermelho sombrio do ódio, o véu negro do desespero, etc. Um matiz azul celeste suave indica esperança, otimismo, o despertar do sentimento religioso. A cor azul mostra o tipo de espiritualidade mais elevada, mas esta cor não aparece fora do corpo denso a não ser nos homens de elevada santidade. Usualmente só o amarelo é visível.
Nas raças menos evoluídas a cor básica da aura é o vermelho sombrio, como o do fogo que arde devagar, indicando a natureza apaixonada e emocional delas. Se examinarmos outras pessoas que se encontram em uma etapa mais elevada da evolução, veremos que a cor básica irradiada por elas é de matiz alaranjado, mistura do amarelo do intelecto com o vermelho da paixão. A cor dourada natural é o raio do Cristo que busca sua expressão química no oxigênio, um elemento solar e, conforme avançamos no caminho da Evolução, os que não sejam religiosos fanáticos, adquirirão um matiz dourado em suas auras, devido aos impulsos altruísticos que são comuns no Ocidente.
Existe íntima conexão entre a cor e o som. Quando se toca certa nota aparece simultaneamente certa cor. No mundo celeste a cor e o som estão sempre presentes, mas o som é que dá origem à cor. Pitágoras falava da harmonia das esferas, mas não usava essa expressão como simples frase poética. Existe, realmente, essa harmonia. São João nos diz que "No princípio era o Verbo ... e sem Ele, nada do que foi feito se faria." Este foi o Fiat criador que deu existência ao mundo. Ouvimos também falar da música celestial, porque do ponto de vista do Mundo Celeste, tudo se cria primeiramente em termos de sons que modelam depois a matéria concreta na multiplicidade de formas que vemos ao nosso redor. 

O som rítmico ordenado 
é o criador de tudo quanto existe: 
- o criador e sustentador de todas as formas.
Na visão esotérica do ocultismo, todo o Sistema Solar é um imenso instrumento musical, citado na mitologia grega como sendo a "Lira de Sete Cordas de Apolo, o Radiante Deus Solar". Existem doze semitons na escala cromática, o mesmo número que encontramos nos céus nos signos do Zodíaco. E como temos as sete notas fundamentais no teclado do piano, temos também os sete planetas.

Os signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa sonora da harpa cósmica e os sete planetas são as cordas; emitem sons diferentes conforme passam pelos diversos signos e, portanto, influenciam a humanidade de diferentes maneiras. Se essa harmonia falhasse por um só instante ou se se produzisse a menor discordância nessa orquestra celestial, todo o Universo seria destruído pois a música pode destruir bem como construir. Isto tem sido demonstrado pelos grandes músicos. Por exemplo o neto do imortal Félix Mendelssohn esteve experimentando o poder do som nesse sentido durante vários anos. E chegou à conclusão de que uma vez que encontremos a nota chave de um edifício, ponte ou qualquer estrutura, podemos arrasá-los fazendo ressoar essa nota de forma suficientemente forte e demorada.

Nosso sorriso de dúvida quando ouvimos a história de Josué e das muralhas de Jericó, não tem mais razão de ser. O som do chifre de carneiro, sem dúvida, era a nota-chave daquelas muralhas que foram abaladas pelo passo rítmico do exército que se preparava para o clímax final. A marcha ritmada de muitos pés, pode destruir qualquer ponte e por esse motivo se ordena aos soldados marcharem sem cadência quando atravessarem pontes.
Assim, pois, vemos que cada planeta tem uma nota-chave que é a soma total dos ruídos que nele se produzem, combinados e harmonizados pelo Espírito Planetário interno. Esse som pode ser distinguido pelo ouvido espiritual.

Como disse Goethe:


"O Sol entoa sua antiga canção,
Canto rival entre esferas irmãs;
Segue ao longo do seu curso prescrito,
Em caminhos trovejantes, através dos anos."

"Ressoa aos ouvidos do espírito proclamando que chegou o novo dia,
Com grande barulho rangem os pétreos portões,
E surge o carro de Febo, suas rodas girando, cantando,
Que som intenso trás a luz".

As vibrações sonoras invisíveis têm grande poder sobre a matéria concreta. Tanto constróem como destróem. Se se coloca uma pequena quantidade de pó fino sobre um prato de bronze ou de vidro e se passa um arco de violino pela sua borda, as vibrações que se produzem farão com que o pó forme formosas figuras geométricas. A voz humana também pode produzir essas figuras, sempre as mesmas para a mesma nota ou som.

Se tocarmos uma nota depois de outra em um instrumento musical - um piano, ou preferivelmente um violino, pois deste se pode obter maior número de gradações - obteremos afinal um som que fará com que a pessoa que o escute sinta uma vibração distinta na parte inferior da cabeça. Toda vez que se tocar essa nota, será sentida essa vibração. E essa nota ou som constitui a nota-chave da pessoa assim afetada. E se for tocada de forma intensa, alto e demoradamente, pode matar como se fôra um tiro. Se, por outro lado, for tocada lenta e suavemente, restaurará e descansará o corpo, tonificará os nervos e restabelecerá a saúde.
 Li-Sol-30
 Fontes:
http://www.fraternidaderosacruz.org/mh_podsec_cap12.htm
Publicado em 23/09/2012 por
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