Humanos herdaram gene do tabagismo de neandertais, indica estudo
Paul Rincon
Editor de Ciência da BBC News
Atualizado em 30 de janeiro, 2014 - 18:29 (Brasília) 20:29 GMT
Genes neandertais influenciam em doenças e pigmentação de pele de humanos modernos
Genes responsáveis por doenças
que afetam humanos atualmente foram herdados do cruzamento com
neandertais, sugere um estudo divulgado na publicação científica Nature.
Esses cruzamentos teriam transmitido adiante
genes variantes envolvidos no desenvolvimento da diabetes tipo 2, da
doença de Crohn (inflamação no sistema digestivo) e, curiosamente, do
tabagismo.
Estudos do genoma revelam que a nossa espécie (Homo sapiens) cruzou com neandertais após deixar a África em direção à Eurásia, cerca de 65 mil anos atrás.
No entanto, até então não estava claro que tipo
de influência teve o DNA neandertal e se havia quaisquer implicações
para a saúde humana.
Entre 2% e 4% do código genético de não-africanos atuais veio de neandertais.
Ao selecionar os genomas de 1.004 homens
modernos, os cientistas envolvidos no estudo, Sriram Sankararaman e seus
colegas da Escola de Medicina de Harvard (EUA), identificaram regiões
que apresentavam versões neandertais de diferentes genes.
Uma surpresa foi descobrir que uma variante do
gene associado à dificuldade em parar de fumar tem origem neandertal.
Mas, obviamente, não há qualquer sugestão de que nossos primos
evolutivos consumissem tabaco em suas cavernas.
Em vez disso, os pesquisadores argumentam, essa
mutação genética pode ter mais de uma função, e o efeito moderno desse
gene no ato de fumar pode ser um efeito entre vários.
Novas paragens
Os pesquisadores descobriram que o DNA
neandertal não é distribuído uniformemente no genoma humano, mas é
encontrado geralmente em regiões que afetam a pele e o cabelo.
Isso sugere que algumas variações de genes
forneceram uma maneira rápida de os humanos modernos se adaptaram aos
novos ambientes mais frios que encontraram ao migrarem para a Eurásia.
Quando as populações se encontraram, os neandertais já vinham se
adaptando a essas condições há centenas de milhares de anos.
A espécie de fortes caçadores se espalhava por
uma área que ia da Grã-Bretanha à Sibéria, mas foi extinta há cerca de
30 mil anos, enquanto o Homo sapiens se expandia para além de seu berço africano.
A linhagem neandertal permaneceu nos humanos
modernos e foi encontrada, por exemplo, em regiões do genoma ligadas à
regulação da pigmentação da pele.
"Encontramos provas de que os genes neandertais
da pele fizeram com que europeus e asiáticos do leste se adaptassem
melhor à evolução", disse Benjamin Vernot, da Universidade de
Washington, coautor de outro estudo sobre o tema publicado na revista Science.
Vernot e sua equipe analisaram o genoma de mais
de 600 pessoas da Europa e do leste da Ásia pelo computador, para
encontrar variantes de genes que continham marcas neandertais.
Genes responsáveis pelos filamentos de queratina
- uma proteína fibrosa que confere resistência a cabelos, pele e unhas -
também foram enriquecidos com o DNA neandertal. Isso pode ter ajudado
os novos humanos a terem um isolamento maior contra o frio, segundo os
cientistas.
"É tentador pensar que os neandertais já estavam
adaptados ao ambiente não-africano e deixaram este benefício genético
aos humanos (modernos)", disse o professor David Reich, coautor do
estudo publicado na Nature.
Mas outros de seus genes variantes influenciaram
algumas doenças humanas, como a diabetes tipo 2, a depressão de longo
prazo, o lúpus, a cirrose biliar - doença autoimune do fígado - e a
doença de Crohn. No caso desta última, os neandertais passaram adiante
diferentes marcados que aumentam ou diminuem o risco da doença.
"Acho
que o que estamos vendo, de maneira mais ampla, são os restos mortais
deste genoma extinto, enquanto ele é lentamente expurgado da população
humana."
Joshua Akey, pesquisador da Universidade de Washington
No entanto, Sriram Sankararaman afirmou que os
cientistas ainda não conhecem o suficiente da genética neandertal para
afirmar se eles também sofreram destas doenças, ou se as mutações em
questão só afetaram o risco das doenças quando transplantadas para o
contexto genético do homem moderno.
Ele diz que mais pesquisas sobre o genoma da espécie podem oferecer mais respostas à questão.
"Misturas aconteceram há relativamente pouco
tempo em termos evolutivos, então não esperávamos que o DNA neandertal
tivesse desaparecido completamente a esta altura", disse Joshua Akey, da
Universidade de Washington e coautor do estudo publicado na Science.
"Acho que o que estamos vendo, de maneira mais
ampla, são os restos mortais deste genoma extinto, enquanto ele é
lentamente expurgado da população humana."
Regiões desérticas
Os cientistas também descobriram que algumas
regiões do nosso genoma são desprovidas de DNA neandertal, sugerindo que
alguns dos genes tinham um efeito tão prejudicial nos filhos dos casais
de humanos modernos e neandertais que eles foram descartados
rapidamente pela seleção natural.
"Vemos que há grandes regiões do genoma onde a
maioria dos humanos modernos têm pouca ou nenhuma linhagem neandertal",
disse Sankararaman à BBC.
"Esta redução na linhagem aconteceu provavelmente pela seleção contra os genes que eram ruins ou deletérios para nós."
As regiões privadas dos genes neandertais
englobam genes que se expressam em exames específicos e também o
cromossomo X, ligado ao sexo feminino.
Isso sugere que alguns híbridos de neandertais e humanos modernos tinham fertilidade reduzida e, em alguns casos, eram estéreis.
"Isto nos diz que, quando neandertais e humanos
modernos se encontraram e se misturaram, eles estavam à beira da
compatibilidade biológica", afirmou o David Reich.
Para Joshua Akey, os resultados de sua equipe
foram compatíveis com a ideia de que houve múltiplas ondas de
cruzamentos entre humanos modernos e neandertais.
Neandertal desapareceu devido a olhos grandes, diz estudo
Pallab Ghosh
Repórter de ciência da BBC News
Atualizado em 14 de março, 2013 - 05:21 (Brasília) 08:21 GMT
O crânio do Neandertal (esq.) apresenta olhos maiores do que os do crânio de um humano moderno
Um estudo da Universidade de
Oxford, na Grã-Bretanha, sugere que os Neandertais foram extintos pois
tinham olhos maiores do que o da nossa espécie, o Homo Sapiens.
A equipe de pesquisadores britânicos explorou a
ideia de que os ancestrais dos Neandertais saíram da África e tiveram
que se adaptar às noites mais longas e escuras da Europa. Como
resultado, os Neandertais desenvolveram olhos maiores e a área do
cérebro para processar a visão teve que aumentar.
Devido a este fato, a capacidade de processamento de informações e pensamentos ficou prejudicada entre os Neandertais.
Os homens de Neandertal viveram na Europa há
cerca de 250 mil anos. Eles coexistiram e interagiram por um curto
período de tempo com o Homo sapiens.
Os humanos que permaneceram na África, por sua
vez, continuaram a aproveitar um clima melhor e, por isso, não
precisaram deste tipo de adaptação. Ao invés disso, nossos ancestrais
tiveram uma evolução no lobo frontal do cérebro, associado com
pensamentos mais complexos, antes de se espalharem pelo mundo.
Eiluned Pearce, da Universidade de Oxford, checou esta teoria comparando os crânios de 32 Homo sapiens e 13 crânios de Neandertais.
A cientista descobriu que os Neandertais tinham as órbitas, em média, seis milímetros maiores.
Apesar de parecer pouco, a cientista afirma que
foi o bastante para que os Neandertais precisassem usar uma parte
significativamente maior de seus cérebros para processar a informação
visual.
"Desde que os Neandertais evoluíram em latitudes
mais altas, uma parte maior do cérebro Neandertal teria sido dedicada à
visão e controle corporal, deixando uma área menor do cérebro para
lidar com outras funções como interações sociais", afirmou a cientista à
BBC.
Chris Stringer, especialista em origens dos
homens do Museu de História Natural de Londres e que também participou
da pesquisa, concorda com a conclusão de Pearce.
"Deduzimos que os Neandertais tinha uma parte
cognitiva do cérebro menor e isto os teria limitado, inclusive na
habilidade de formar grupos maiores. Se você vive em um grupo maior,
precisa de um cérebro maior para processar todos aqueles relacionamentos
extras", afirmou.
Esta característica dos Neandertais também pode
ter afetado sua capacidade de inovar e se adaptar à era do gelo que
teria contribuído para sua extinção.
A pesquisa foi publicada na revista especializada Proceedings of the Royal Society B.
Roupas
Existem provas arqueológicas, por exemplo, de que o Homo sapiens
que coexistiu com os Neandertais tinha agulhas que usava para fazer
roupas. Isto os teria mantido mais aquecidos do que as mantas sem
costura que os Neandertais teriam usado.
Stringer afirma que todos estes fatores juntos podem ter dado à nossa espécie uma vantagem crucial para a sobrevivência.
"Mesmo se você tivesse uma capacidade um pouco
maior de reagir rapidamente, de contar com a ajuda de seus vizinhos para
sobreviver e de passar informações, todas estas coisas juntas deram a
vantagem ao Homo sapiens em relação aos Neandertais, e isto fez a diferença para a sobrevivência."
Esta última descoberta está em contradição com
uma outra pesquisa que afirma que os Neandertais não eram as criaturas
estúpidas ou grosseiras mostradas em filmes de Hollywood, mas podem ter
sido inteligentes.
Robin Dunbar, que supervisionou esta pesquisa
também na Universidade de Oxford, afirmou que sua equipe queria evitar
os estereótipos ligados aos Neandertais.
"Eles eram muito, muito espertos, mas não no mesmo nível que o Homo sapiens.
Aquela diferença pode ter sido o bastante para mudar o equilíbrio
quando as coisas começaram a ficar difíceis no final da última era do
gelo", afirmou.
Até o momento, o conhecimento dos pesquisadores
em relação ao cérebro do Neandertal era baseado em moldes de gesso dos
crânios. Isto deu aos cientistas uma indicação do tamanho e estrutura do
cérebro, mas não deu nenhuma indicação real de como o cérebro do
Neandertal era diferente do cérebro humano.
O último estudo é uma abordagem mais imaginativa para tentar desvendar a questão.
As pesquisas anteriores de Eiluned Pearce
mostraram que os humanos modernos que viviam em latitudes mais altas
desenvolveram maiores áreas de visão no cérebro para lidar com níveis de
luz mais baixos. Mas não há indicação de que as habilidades cognitivas
superiores tenham sido afetadas.
Estudos realizados em primatas mostraram que o
tamanho dos olhos é proporcional à quantidade de espaço no cérebro
voltada para os processos visuais, então os pesquisadores presumiram que
isto também se aplicaria aos Neandertais.
Segredos do Terceiro Reich epis. 5 - O Discípulo de Hitler - http://www.youtube.com/watch?v=O7fmSKWjzrw&feature=share&list=PLEC01FD0556EABEFD&index=1
?
Heinrich Himmler: líder nacional da
SS, chefe de polícia, ministro do Interior e comandante-chefe. O
discípulo mais poderoso de Hitler permanece sendo um enigma até hoje.
Por que ele estava interessado no ocultismo? Que papel tinha sua
misteriosa amante, com quem ele levou uma vida dupla durante anos? E foi
Himmler, em vez de Hitler, o responsável por ordenar o assassinato em
massa de judeus? Vamos investigar os novos insights sobre esta questão
decisiva e procurar desvendar o mistério que envolve Heinrich Himmler.
Heinrich
Luitpold Himmler (Munique, 7 de Outubro de 1900 — Lüneburg, 23 de Maio
de 1945) foi o comandante da Schutzstaffel (Reichsführer-SS) e um dos
mais poderosos homens da Alemanha Nazi.Nascido perto de Munique, na
Baviera, Alemanha numa família de classe média, foi criado em uma
família de tradição católica. Filho de um reitor bávaro, estudou na
escola de Landshut. Após a sua graduação, foi Himmler designado como um
Cadete Oficial em 1918. Durante a Primeira Guerra Mundial, entrou para o
11º Regimento bávaro. Um pouco antes, Himmler foi promovido como
oficial mas, entretanto, a guerra terminou e Himmler foi retirado do
exército sem ter estado em combate.
Em 1919, um ano após o fim da
Primeira Guerra Mundial, Himmler começou a estudar Ciências agrícolas
num colégio técnico em Munique. Durante o seu tempo como estudante, foi
um membro activo de vários clubes estudantis. Ao mesmo tempo, tornou-se
ativo nos Freikorps, exércitos privados da ala direita de ex-soldados do
Exército Alemão, ressentidos pela derrota da Alemanha na Primeira
Guerra Mundial. Himmler entrou para o Reichkriegsflagge e, em 1923,
aderiu ao Partido Nazi, que então estava recrutando membros do Freikorps
como potenciais membros das novas unidades Nazis, a Sturmabteilung
(SA).
Entre 1927 e 1929, Himmler dedicou-se crescentemente às tarefas
como vice-Reichsführer-SS. Com a demissão do comandante da SS Erhard
Heiden, foi designado o novo Reichsführer-SS em janeiro de 1929. Na
ocasião, foi nomeado para conduzir a SS, que possuía apenas 280 membros,
e considerada um batalhão insignificante perto da grande SA. Até então,
Himmler era chamado de SA-Oberführer, mas depois de 1929, se
autodeclarou como "Reichsführer-SS".
Em 1933, quando o partido
nazista começou a ganhar poder na Alemanha, Himmler já havia conseguido
52000 membros para a SS, e a organização desenvolveu severos requisitos
sociais para assegurar que todos os membros fossem arianos assim como o
Führer.
Himmler então se esforçou para livrar a SS do controle da
SA, introduzindo uniformes pretos, para substituir as camisas marrons
da SA. Posteriormente foi promovido a SS-Obergruppenführer und
Reichsführer-SS, e passou a possuir poderes iguais a de um comandante da
SA, que nessa época detestaram o poder que a SS passou a ter.
Tanto
Himmler como Hermann Göring, e outros braços direitos de Hitler,
concordaram que a SA e seu líder, Ernst Röhm, eram uma ameaça não só
para o exército alemão como também para toda a liderança nazista na
Alemanha. Röhm acreditava que, embora Hitler tivesse ganhado poder na
Alemanha, a real revolução ainda não tinha começado, deixando alguns
líderes nazistas com a convicção de que Röhm poderia usar a SA para
tentar um golpe. Com alguma persuasão de Himmler e Göring, Hitler
começou a sentir ameaçado, e ordenou a morte de Röhm.
Ele delegou
esta tarefa a Himmler e Göring que, junto com Reinhard Heydrich, Kurt
Daluege e Walter Schellenberg, executaram-no com muitos outros
funcionários de alto cargo da SA, episódio que ficou conhecido como A
Noite das Longas Facas em 30 de junho de 1934. No dia seguinte, o título
de Himmler de Reichsführer-SS tornou-se o grau de liderança e
permaneceu nessa posição enquanto a SS se tornou uma organização
independente do Partido Nazista.
As Waffen-SS tem sua fundação
derivada da chamada Schutzstaffel (SS) no início do Partido Nazista como
forma de proteção a Adolf Hitler em um período conturbado politicamente
(as décadas de 20 e 30 do século XX). Hitler exigia que sua tropa de
elite fosse composta por cidadãos com comprovada origem germânica, uma
condição fisica e mental excepcional e que cumprissem as normas da
ideologia nazista. Para isso colocou à frente da tropa especial Heinrich
Himmler, que em alguns anos, mais exatamente em 1933, conseguiu aliciar
nada menos do que 52.000 homens para o seu exército. Com a ascensão da
organização, Himmler conseguiu anexar aos seus domínios o
Ordnungspolizei (a polícia regular), e o Sicherheitspolizei (a polícia
de segurança). O Sicherheitspolizei foi dividido mais adiante no
Kriminalpolizei ou Kripo (a polícia Criminal) e o Geheime Staatspolizei
ou Gestapo (a polícia secreta), todas subordinadas ao escritório de
Segurança Geral do Reich.
Die Rothschilds Aktien auf Waterloo Filme
alemão que apresenta uma teoria sobre como os Rothschilds conquistaram o
seu poder financeiro. Pedimos discrição com relação ao antissemitismo
por vezes exagerado subjascente a película, afinal é um filme de
propaganda, e como tal, não deve ser tomado sem toda isenção.
No mais colaborem para que o canal expanda o seu conteúdo compartilhando/assinando/+Like/
Diário da Síria - A Guerra vista por dentro - 47min.
Entenda a guerra civil da Síria
Governo de Assad encara rebelião armada que já dura quase três anos. Conflito tem mais de 130 mil mortos, caos humanitário e crise de refugiados.
A República Árabe Síria
enfrenta, desde março de 2011, uma guerra civil que já deixou pelo
menos 130 mil mortos, destruiu a infraestrutura do país e gerou uma
crise humanitária regional. Quase três anos depois, as partes envolvidas
e a comunidade internacional tentam fazer estabelecer em conjunto os
termos para paz.
Mais de 2 milhões deixaram o país em busca de refúgio em nações
vizinhas, aumentando as tensões entre os países vizinhos. Outros 4,25
milhões de sírios tiveram que se deslocar dentro do país devido aos
combates.
A situação sanitária se agrava, as organizações de ajuda não conseguem
acesso a regiões inteiras do país, e a economia encolhe em meio aos
combates.
O contestado presidente Bashar al-Assad, da minoria étnico-religiosa
alauíta, enfrenta há quase três anos uma rebelião armada que tenta
derrubá-lo do poder.
No início, a rebelião, localizada na cidade de Daraa, tinha um caráter
pacífico, com a maioria sunita -que se considera prejudicada pelo
governo- e a população em geral reivindicando mais democracia e
liberdades individuais, inspirados pelas revoluções da chamada
"Primavera Árabe" iniciadas no Egito e na Tunísia.
Os manifestantes também acusavam o governo de corrupção e nepotismo.
Em um episódio na cidade, crianças que pichavam muros teriam sido presas e torturadas, o que gerou revolta popular.
Aos poucos, com a repressão violenta das forças de segurança, os
protestos foram se espalhando pelo país e se transformando em uma
revolta armada, apoiada por militares desertores e por grupos islamitas
como a Irmandade Muçulmana, do Egito e radicais com o grupo Al-Nursa,
uma "franquia" da rede terrorista da Al-Qaeda, com o objetivo de
derrubar o regime.
Assad se recusou a renunciar, mas fez concessões para tentar aplacar os
manifestantes. Ele encerrou o estado de emergência, que durava 48 anos,
fez uma nova Constituição e realizou eleições multipartidárias. Mas as
medidas não convenceram a oposição, que continuou combatendo e exigindo
sua queda.
A mediação de paz feita pela ONU, inicialmente com o
ex-secretário-geral Kofi Annan e depois com o diplomata Lakhdar Brahimi,
também vem fracassando.
O regime argumenta que a rebelião é insuflada por terroristas
internacionais, com elos com a rede Al-Qaeda, cujo objetivo é criar o
caos, e que está apenas se defendendo para manter a integridade
nacional.
Entre o fim de 2013 e o início de 2014, confrontos entre rebeldes
islamitas e jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL,
ligado à Al-Qaeda) deixaram milhares de mortos.
Há a percepção, dentro e fora do país, de que os grupos jihadistas
tentam "tomar conta" da revolta, o que dificulta a tomada de posição do
Ocidente.
O conflito se generalizou pelo país e tem sido marcado por derrotas e
vitórias militares dos dois lados, e pelo grande número de mortes.
A fragmentada oposição síria tenta se organizar para uma possível
tomada de poder, mas queixa-se de falta de apoio das potências
ocidentais, que se mostram reticentes em entrar no campo de batalha.
Tensões no exterior
A guerra civil síria reviveu as tensões da Guerra Fria entre Ocidente e Oriente, por conta do apoio da Rússia ao regime sírio.
Desde o início do conflito em março de 2011, os EUA se limitam,
oficialmente, a oferecer apoio não letal aos rebeldes e a fornecer ajuda
humanitária.
Em junho, a administração Obama prometeu "apoio militar" aos rebeldes,
embora tenha mantido certa indefinição sobre a natureza dessa ajuda.
Os EUA tinham até pouco tempo atrás pouco apetite para intervir na
região, por conta do envolvimento da Al-Qaeda, inimiga mortal dos
americanos e autora dos atentados do 11 de Setembro de 2001.
A Rússia, que tem interesses econômicos e estratégicos na região, é a
principal aliada do governo sírio. China e Irã também são importantes
aliados do presidente sírio Assad. Ele também tem apoio do movimento
xiita libanês Hezbollah.
Armas químicas
Em 21 de agosto, a oposição denunciou mais de mil mortos em um massacre
com uso de armas químicas em subúrbios de Damasco controlados pelos
rebeldes. Já havia relatos anteriores de uso de armas químicas pelo
regime.
O governo e o próprio Assad negaram as acusações, apesar de o Ocidente dizer ter provas em contrário.
Observadores da ONU foram autorizados a irem até o local para
investigar se houve uso de armas químicas. O incidente é considerado o
mais grave com uso de armas químicas no planeta desde os anos 1980.
Após o ataque, aumentaram as conversas sobre uma possível intervenção
internacional no país, liderada pelos EUA. No dia 31 de agosto, Obama
fez um pronunciamento dizendo que decidiu que o país deveria adotar uma ação militar contra alvos do governo sírio, mas ressaltou que iria buscar a aprovação do Congresso norte-americano antes de fazê-lo.
A oposição síria esperou ansiosamente o ataque americano, e emitiu comunicado dizendo que a ajuda deveria vir também em armas.
Mas a Rússia mudou esse panorama dois dias depois, quando propôs um
plano para acabar com as armas químicas da Síria. Obama, apesar do
ceticismo em relação à proposta, aceitou a proposta. A Síria começou a
colaborar com a Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas),
que lacrou os arsenais sírios e prepara-se para sua destruição. O
trabalho rendeu o Prêmio Nobel da Paz à Opaq.
No dia 16 de setembro, a ONU divulgou o relatório sobre a investigação
do ataque de armas químicas ocorrido em 21 de agosto nos subúrbios de
Damasco. O documento confirmou que um grande número de pessoas morreu
vítima de gás sarin na região de Goutha, na periferia da capital.
Os EUA afirmam que estão dando uma chance à diplomacia, mas que, se
Assad não cumprir sua parte, a possibilidade de uma intervenção militar
não está descartada.
Conferência de paz
No fim de 2013, Estados Unidos e Rússia, principais negociadores
externos, acertaram a data de 22 de janeiro para a realização de uma
conferência de paz chamada de Genebra II. O encontro deseja tentar
chegar a uma solução negociada para o conflito sírio.
Devem se sentar na mesma mesa o regime e a oposição – o governo
confirmou sua participação, mas descartou excluir o presidente Bashar
al-Assad do processo de transição política no país em guerra civil, algo
que é exigido por diversas partes.
Entretanto, nas semanas que antecediam a realização da conferência, a
participação ou não de diversos países e partes envolvidas gerou
polêmica. Alguns membros da coalizão opositora, com o Conselho Nacional
Sírio (CNS) à frente, recusam-se a sentar-se à mesma mesa com
representantes do regime de Damasco.
A ONU chegou a convidar o Irã para participar, mas o chamado foi
rejeitado pela oposição síria, pelos Estados Unidos e pela Arábia
Saudita. O Irã, aliado do regime sírio, "nunca apoiou o comunicado de
Genebra I", que pede um governo de transição na Síria, afirmou um
funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos EUA.
Após a polêmica, a ONU retirou o convite ao Irã – o que foi criticado pela Rússia.
Leia abaixo algumas das datas do conflito:
2011 - 23 de março: Ao menos 100
pessoas são mortas pelas forças de ordem durante manifestações em Deraa
(sul), berço da revolta uma semana antes (militantes e testemunhas).
- 31 de julho: 100 mortos e dezenas de feridos durante uma vasta ofensiva do Exército em Hama (centro).
2012 - 4 de fevereiro: Mais de 230
civis, incluindo dezenas de mulheres e crianças, são mortos em uma
noite em Homs (centro) em bombardeios do Exército.
- 25 de maio: Ao menos 108 mortos em um massacre em Hula (província de Homs). Uma Comissão de investigação da ONU afirma que as forças pró-Assad são responsáveis por muitas mortes.
- 6 de junho:Mais de 100 pessoas são mortas,
incluindo mulheres e crianças em Al-Kubeir (província de Hama). O OSDH e
a oposição acusam os "shabbihas" (milícias pró-regime) pelo massacre.
- 21 de junho: Quase 170 mortos, incluindo 104 civis.
- 12 de julho: Em Treimsa (província de Hama),
bombardeios e combates fazem mais de 150 mortos, incluindo dezenas de
rebeldes. A oposição e uma parte da comunidade internacional chamam esta operação de 'massacre'.
- 19 de julho: A repressão e os combates fazem mais de 300 mortos, em seu maioria civis, em todo o país.
- 6 e 7 de agosto: Quase 500 mortos, incluindo mais de
300 civis, em todo o país. Em 11 e 12 de agosto, quase 300 mortos,
particularmente em Aleppo (norte). Agosto foi o mês com o maior número de mortos na revolta síria.
- 23 de dezembro: Mais de 60 civis mortos em
um ataque do Exército em frente a uma padaria perto de Hama (centro).
Segundo a organização Human Rights Watch, os ataques contra filas de
espera mataram dezenas de civis.
- 11 de junho: Sessenta xiitas, em sua maioria combatentes pró-regime, são mortos na província de Deir Ezzor (leste). Com a intensificação dos combates, os balanços do OSDH ultrapassam quase todos os dias os 100 mortos.
- 21 de agosto: A oposição acusa o regime Assad de matar 1.300 pessoas em um ataque com armas químicas perto de Damasco e a comunidade internacional de ser "cúmplice por seu silêncio".
- 23 de agosto: Ativistas da Síria tentam entregar à ONU amostras de vítimas
de ataque para comprovar o uso de armas químicas. O enviado especial da
Liga Árabe e da ONU, Lakhdar Brahimi, diz que o conflito sírio é a maior ameaça à paz mundial. Obama diz que acusações de ataque químico na Síria são "preocupantes". Rússia rejeita uso de força, mas pede investigação.
- 24 de agosto: A ONG Médicos Sem Fronteiras diz que 355 dos mortos em Damasco apresentavam sintomas neurotóxicos. O regime sírio acusa os rebeldes de terem usado as armas químicas. O secretário americano de Defesa, Chuck Hagel, diz que o Pentágono já mobiliza forças para uma possível ação militar contra a Síria caso o presidente Barack Obama decida por esta opção.
- 27 de agosto: Segunda visita de inspetores da ONU a local de ataques é adiada. O premiê britânico chama o Parlamento para discutir a situação da Síria, e o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, diz que as forças armadas americanas estão prontas para "agir imediatamente"
contra a Síria, a partir de uma ordem do presidente Barack Obama. A
imprensa americana diz que o ataque, que seria realizado nos "próximos
dias", seria breve, limitado e pontual, sem o propósito de derrubar Assad. Obama e Cameron conversam por telefone sobre a crise.
-2 de setembro: A Rússia disse não estar convencida
sobre as provas apresentadas pelos EUA sobre o suposto ataque químico e
afirmou que pretende mandar uma comissão parlamentar ao Congresso
americano para pressionar contra o ataque. Assad afirmou que o Oriente
Médio é um "barril de pólvora" e advertiu para os riscos de uma "guerra regional" caso as potências ataquem. Analistas criticam a "indecisão" das potências ao lidar com a crise síria e afirmam que Obama tomou uma decisão arriscada ao levar o debate para o Congresso.
-3 de setembro: O número total de refugiados por causa da guerra civil na Síria chegou a 2 milhões,
segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.
De acordo com um informe da agência, não há previsão de melhora na
situação. Israel faz um teste de míssil no Mediterrâneo, em conjunto com
os EUA, aumentando a tensão regional. O Pentágono afirma que o teste não tem relação com a Síria. Obama afirma que a ação na Síria será limitada, mas parte de uma estratégica para derrubar o regime Assad. O presidente da Câmara dos EUA, republicano John Bohener, anuncia apoio ao ataque e pede que seus colegas o sigam.
-4 de setembro: O presidente da Rússia, Vladimir
Putin, afirmaq ue Moscou não descarta aceitar uma ação militar contra o
regime Assad, se ficar demonstrado que ele usou armas químicas contra a
população, em entrevista divulgada pelo Kremlin. O vice-chanceler sírio diz que o país não cederá mesmo que o possível ataque ocidental provoque a terceira guerra mundial. Obama reafima que o mundo não pode ficar parado diante da situação síria. O Comitê de Relações Exteriores do Senado aprova, por 10 votos a 7,
o projeto que autoriza o governo americano a atacar a Síria. O texto
agora precisa ser aprovado pelo plenário do Senado e também da Câmara de
Representantes.
-5 de setembro: As acusações de que o regime sírio utilizou armas químicas em 21 de agosto são um "pretexto" para atacar a Síria, afirma o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O presidente russo Putin põe a Síria na agenda do G20; ele quer pressionar Obama a desistir do ataque. O Reino Unido diz ter novas provas do uso de armas químicas no país. A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, diz que a Rússia mantém o Conselho de Segurança refém na crise síria. As divisões no G20 em relação ao ataque persistem, segundo o premiê italiano, Enrico Letta.
-7 de setembro: Obama pede ao Congresso que não fique "de olhos vendados" em relação ao uso de armas químicas na Síria. Os chanceleres da União Europeia pedem uma "resposta forte" ao ataque químico, mas sem aderir à proposta de ataque levada pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.
-9 de setembro: John Kerry diz que Assad pode evitar o ataque à Síria se entregar suas armas químicas, mas duvida que o ditador sírio vá fazer isso. A Síria recebe bem uma proposta russa de monitoramento do arsenal, mas os EUA reagem com ceticismo. Assad diz que os EUA devem estar "preparados para tudo" em caso de ataque à Síria. Obama afirma que "leva a sério" a proposta russa de monitorar o arsenal químico sírio, mas que quer ver ações práticas.
10 de setembro: O dia é marcado por embates
diplomáticos relacionados ao plano russo para que a Síria entregue suas
armas químicas. A Rússia afirma que já trabalha com a Síria para um "plano concreto". A França promete apresentar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução sobre as armas químicas sírias, prevendo consequências se o regime não cumprir sua parte. O Kremlin revela que Putin e Obama discutiram a proposta de monitoramento, na semana anterior, às margens da reunião do G20. A Síriaaceita a proposta russa, segundo a agência Interfax. Obama afirma que, apesar dessa negociação, ainda defenderá a ação militar. O secretário de Estado Kerry diz que os EUA não vão esperar muito por um plano russo. EUA, Reino Unido e França dedidem discutir a proposta no âmbito da ONU.
A Rússia convoca e depois cancela uma reunião emergencial do Conselho
de Segurança da ONU para tratar do tema. Putin diz que sua proposta só
funcionará se os EUA e os aliados desistirem de atacar a Síria. Obama pede mais tempo ao Congresso para discutir a proposta russa e, em discurso na TV, diz que vai analisar a proposta russa, mas com ceticismo.
11 de setembro: Um relatório da comissão de investigadores da ONU diz que a Síria cometeu "crimes contra a humanidade" e que a oposição ao governo de Bashar al-Assad cometeu "crimes de guerra". A Rússia entrega aos EUA
o projeto sobre as armas químicas sírias, para análise. Os cinco
membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU se reúnem para
tratar do tema.
13 de setembro: O "Wall Street Journal", citando fontes americanas, afirma que o regime sírio está espalhando seu arsenal químico por dezenas de lugares, para dificultar sua localização. O secretário-geral da ONU afirma que o relatório da entidade deve confirmar
o uso de armas químicas no ataque de 21 de agosto. Ban acusa o regime
Assad de cometer "muitos crimes contra a humanidade". EUA, Rússia e ONU
concordam em continuar buscando uma "solução política" para a crise síria.
14 de setembro:Estados Unidos e a Rússia chegaram a um acordo
sobre a crise no país. A Síria terá uma semana para entregar um
relatório sobre seu arsenal de armas químicas para evitar um ataque. Se a
Síria não cumprir os procedimentos para eliminar suas armas químicas, a
ameaça de uso de força será incluída em uma resolução do Conselho de
Segurança da ONU.
16 de setembro: Relatório da ONU confirmou que armas químicas foram usadas na Síria.
Segundo o secretário-geral Ban Ki-moon, "e o uso mais significativo
confirmado de armas químicas contra civis desde que Saddam Hussein usou
em Halabja, em 1988". De acordo com as investigações, 85% das amostras de sangue coletadas testaram positivo para sarin, enquanto quase todas as amostras biomédicas verificadas testaram positivo para exposição ao sarin.
17 de setembro: Potências do Conselho de Segurança negociam resolução sobre armas químicas sírias.
18 de setembro: A Rússia diz ter provas,
fornecidas pelo regime sírio, de que os rebeldes foram responsáveis
pelo ataque químico. Moscou afirma que o relatório foi parcial. A ONU defende a objetividade do texto. Em entrevista à Fox News, Assad volta a se comprometer com a destruição do arsenal químico. 19 de setembro: O secretário Kerry reafirma a convicção de que o regime sírio tem responsabilidade no ataque. Ele pede que o Conselho de Segurança da ONU atue em relação à crise.
25 de setembro - Inspetores de armas da ONU voltam a Damasco para investigar mais 14 incidentes com suposto uso de armas químicas. O Conselho de Segurança da ONU chega a um consenso sobre a Síria, mas não há detalhes sobre o texto. A Rússia, no entanto, negou a existência de um acordo.
27 de setembro- O órgão que monitora armas químicas aprova o plano sírio para se desfazer de seu arsenal. O Conselho de Segurança da ONU aprova o projeto de resolução que obriga o regime sírio a desmantelar suas armas químicas.
5 de outubro - Assad diz que, "se o povo quiser", ele vai ser candidato nas eleições presidenciais previstas para 2014.
17 de outubro - A Opaq anunciou ter inspecionado quase metade das instalações do arsenal químico sírio.
18 de outubro - A Arábia Saudita se recusa a ocupar
uma cadeira temporária no Conselho de Segurança da ONU para protestar
pela impotência do organismo ante os conflitos no Oriente Médio, em
particular na Síria.
22 de outubro - Reunido em Londres, o grupo diplomático de Amigos da Síria define, com representantes da oposição, que Assad não deve desempenhar nenhum papel num futuro governo sírio.
25 de outubro - Um carro-bomba explode numa área da periferia de Damasco controlada por rebeldes e deixa dezenas de mortos e feridos.
29 de outubro - A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirma que existe uma epidemia de poliomielite em uma província no nordeste da Síria e disse que há um alto risco de ela se espalhar pela região.
4 de novembro - A ONU anuncia que o número de sírios obrigados a abandonar seus lares devido à guerra aingiu 6,5 milhões de pessoas. Segundo a área de operações humanitárias, 9,3 milhões de pessoas precisam de ajuda externa para sobreviver.
6 de novembro - Rebeldes sírios assumem o controle de parte de um arsenal do Exército na província central de Homs e levam uma grande quantidade de armas, segundo a OSDH.
7 de novembro - A Opaq anuncia
que os especialistas que têm a missão de destruir o arsenal químico
sírio inspecionaram 22 das 23 instalações declaradas pela Síria. Os EUA
começam a consultar os aliados sobre a destruição do arsenal.
10 de novembro - A organização Human Rights Watch denuncia que a Força Aérea da Síria usou armas incendiárias em dezenas de ataques ao longo do último ano.
13 de novembro -Os EUA elogiam a decisão da oposição de participar da conferência de paz. O exército sírio assume o controle de uma cidade ao sul de Damasco durante uma ofensiva destinada a separar a capital dos subúrbios.
27 de novembro - O governo sírio anunciou que vai à conferência de paz, mas descartou excluir Assad do processo de transição de poder.
29 de novembro - Relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) aponta que há ao todo 1,1 milhão de crianças sírias refugiadas pelo conflito - o que equivale a 52% do total de sírios que deixaram o pais.
9 de janeiro - A oposição se reúne para tentar fechar posições antes das negociações de paz.
12 de janeiro - Levantamento do OSDH aponta que combates travados entre jihadistas e rebeldes antigoverno deixaram em nove dias 700 mortos e centenas de desaparecidos no norte da Síria. Os principais diplomatas dos EUA e da Rússia pedem um cessar-fogo "limitado", que valha para a região de Aleppo, antes da abertura de negociações prevista para 22 de janeiro em Genebra.
21 de janeiro - Três ex-procuradores internacionais acusam a Síria de massacres em grande escala e torturas
em um relatório baseado no testemunho de um desertor encomendado pelo
Qatar. O avião da delegação síria que seguia para a Suíça para a
conferência de paz é retido em Atenas por cinco horas.
26 de janeiro - Governo e oposição voltam a se encontrar
com mediação da ONU em Genebra. A oposição entrega uma lista com nomes
de 1,3 mil mulheres e crianças retidas nas prisões do regime, para que
elas sejam libertadas, e negou reter civis, apenas combatentes. Após a reunião, o governo autorizou que mulheres e crianças sitiados há meses no centro de Homs deixassem a cidade.
27 de janeiro - Governo e oposição se reúnem pelo terceiro dia seguido para começar a discutir a formação de um governo de transição.
As negociações são paralisadas após o governo ter divulgado uma
declaração de intenções que aparentemente descarta a formação de um
governo de transição - prontamente rejeitada pela oposição,
que pediu que os países parem de armar os rebeldes e "incitar o
terrorismo". Apesar do impasse, as delegações afirmam que não vão
abandonar a mesa de negociações. No fim do dia, a ONU anuncia que mais
armas químicas sírias foram carregadas em navios e transferidas para fora da Síria.
29 de janeiro - As duas delegações sírias concordaram em usar o "comunicado de Genebra", como base para o diálogo, segundo um porta-voz da oposição. Ao mesmo tempo, a fome deixa desesperadas as quase 20 mil pessoas que vivem no acampamento palestino de Yarmuk, em Damasco.
Cidade está sitiada e sob constante bombardeio, diz morador
Moradores da sitiada cidade de
Homs, na Síria, estão tão desesperados por alimentos que têm comido
"qualquer coisa que cresça no chão, plantas, até grama", disse à BBC o
sírio Baibars Altalawy.
A cidade está sob ataque das tropas do governo há mais de um ano e meio.
Segundo Altalawy, os moradores das
partes sitiadas dependiam de alimentos, remédios e combustível enviados
ao local quando o estado de sítio foi imposto. Mas esses suprimentos
acabaram.
"Se não morrermos por conta dos bombardeios ou
dos franco-atiradores, vamos morrer de fome ou frio", disse Altalawy, de
24 anos, via Skype, de Homs.
A população local esperava que a conferência em
Genebra, que discute a guerra civil na Síria, levasse à criação de rotas
seguras para que os moradores pudessem abandonar Homs - mas Altalawy
afirma que, se o regime quisesse ajudar a população a escapar, já o
teria feito.
O mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, tenta obter
acesso humanitário à área sitiada, mas os diálogos permanecem
emperrados. A delegação síria exige garantias de que a ajuda humanitária
americana não irá para "grupos terroristas armados" na cidade.
São 13 distritos, incluindo a histórica Cidade Velha de Homs, que estão "totalmente sitiados", afirmou Altalawy.
"Há famílias, mulheres, idosos, feridos (ali), e
muitos dos idosos precisam de medicamentos para doenças crônicas",
prosseguiu o sírio. "Não temos recebido nenhuma ajuda, tudo o que vemos
diariamente são confrontos. Os rebeldes nas áreas sitiadas estão fazendo
o que podem para impedir a entrada das tropas do regime."
Fome
Na falta de alimentos, Altalawy diz que a
população está colhendo qualquer tipo de planta ou grama. "Daí
cozinhamos com água, usando madeira (para o fogo), porque não temos
gás".
Só que essas gramas e arbustos têm causado
indigestão e febre em alguns moradores. "Alguns dias atrás, um idoso
morreu seis horas após comer a grama."
Altalawy afirma também que o bombardeio sobre a
cidade não tem tido trégua - e que áreas de população civil estão sendo
"diretamente alvejadas" pelas forças ligadas ao presidente Bashar
al-Assad.
"Muitos morreram porque não temos equipamento ou
medicamentos para salvar suas vidas. O pouco que sobrou de remédio está
vencido, mas temos usado mesmo assim."
'Pouca esperança'
A situação médica é tão desesperadora quanto à
situação humanitária, agregou. "Quando alguém é ferido, só o que podemos
fazer é rezar a Deus para aliviar sua dor, porque não podemos tratá-lo
ou sequer alimentá-lo."
Além da população sitiada, 700 mil pessoas foram
forçadas a se deslocar por conta dos conflitos, diz o sírio - muitas
estão abrigadas em prédios públicos ou em acampamentos improvisados fora
das áreas bombardeadas.
Há "pouca esperança" quanto aos sucesso das negociações em Genebra.
"Estamos à beira da morte, e não há formas de
tirar os doentes ou feridos (da cidade). E sabemos que qualquer pessoa
que tente escapar do sítio será morta com certeza."
Entenda a guerra na Síria - 1min.
Comunistas Vlog - A História do Tempo Presente - 26min.
Entre os mortos, há 498 civis, diz Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Governo e oposição discutem desde dia 22 saída pacífica para guerra civil.
Do G1, em São Paulo
1 comentário
Quase 1.900 pessoas morreram na Síria
desde 22 de janeiro, quando começaram na Suíça as negociações de paz de
Genebra 2 entre o regime e a oposição, afirmou nesta sexta-feira (31) o
Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
Ao menos 498 civis estão entre as vítimas do conflito, que não foi
interrompido durante o encontro entre representantes do governo e dos
rebeldes em uma cúpula que até o momento não apresentou resultados.
"Entre 22 e 30 de janeiro, houve 1.870 mortos, entre eles 498 civis",
disse Rami Abdel Rahman, diretor da entidade ligada à oposição síria.
Até agora, a difícil negociação mediada pela ONU não trouxe nenhum resultado prático.
"Além dos 646 rebeldes, 208 jihadistas da Frente al Nosra e do Estado
Islâmico do Iraque e o Levante (EIIL), 515 soldados e milicianos leais
ao regime e 3 combatentes curdos perderam a vida durante este período",
acrescentou.
Estes combatentes morreram em confrontos entre distintas frentes:
forças leais ao governo contra os rebeldes ou insurgentes contra
jihadistas e curdos.
"Isso dá uma média de 208 mortos por dia e o número real de mortes é certamente mais elevado", enfatizou Abdel Rahman.
"A conferência de paz de Genebra deveria ter sido realizada com um
cessar total das operações militares e das prisões. Pedimos à comunidade
internacional que atua de forma séria e real para deter o assassinato e
as violações dos direitos humanos na Síria antes de promover uma
solução política", afirmou ainda.
A Guerra vista por dentro - 47min.
Do G1, em São Paulo
Licença padrão do YouTube http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140128_siria_fome_pai.shtml