domingo, 28 de novembro de 2010

Al - Deir

Al-Deir, A "Peregrinação" ao Mosteiro de Petra



Eis que retomamos aqui as crónicas de Petra com uma “peregrinação” a um dos locais mais agradáveis e simbólicos da cidade rosa.



Após um refastelado almoço, empreendemos na subida dos cerca de 800 degraus talhados na rocha que nos separavam deste misterioso templo.



Nada nos havia preparado para a dureza desta empreitada. Com o sol no seu zénite, lá nos enchemos de coragem para subir pelos nossos próprios meios, recusando uma boa dúzia de vezes os voluntariosos serviços dos garotos beduínos com os seus “táxis” todo-o-terreno: os pachorrentos burritos.



Um quarto de hora passado já implorávamos por descanso, conjurávamos contra os nossos corpos incapazes de estar à altura dos nossos espíritos aventureiros, praguejávamos a nossa obstinação, afiançávamos que seria ali a chegada da nossa hora. E assim foi a meia-hora seguinte, bordada de exageradas lamúrias.



Sem um queixume, passavam por nós os ágeis e silenciosos burritos, carregando no lombo os acalorados turistas, com uma expressão de desconforto estampada no rosto. Reconhecemos o inconfundível sotaque tripeiro numa voz que bradava “Não lhe batas, carago!”, num tom de nítida irritação para com um gaiato dos seus 11 anos que instigava o pobre animal a acelerar a marcha. Não nos pareceu que o jovem guia fosse poliglota.



Os túmulos espalhados pelos montes, a beleza fotogénica desta frágil rocha moldada pelo tempo e as bancas de artesanato das mulheres beduínas eram excelentes desculpas para as breves pausas em que procurávamos recuperar o fôlego.



Chegados ao enorme átrio que antecede o templo, respirámos de alívio pelo fim da nossa penitência. Ou assim julgávamos nós.



Na sua origem, acredita-se que o Mosteiro foi um túmulo erigido para o rei nabateu Obodas I. A semelhança com o Tesouro é notória, mas o Mosteiro ganha em grandeza. A extensão do átrio, outrora rodeado de colunas, sugere que o espaço era usado para cerimónias sagradas. 

O templo deve a designação actual de Mosteiro às cruzes esculpidas no seu interior, prova da presença de cristãos na era bizantina.



Um tentador letreiro afixado numa tenda no topo dum monte publicitava “the best view in Petra”. Como se os 800 degraus não nos tivessem servido de lição, os intrépidos (leia-se, inconsequentes) VagaMundos não resistem ao chamamento. Afinal, quem tinha subido 800 podia subir mais meia dúzia!



Essa “meia dúzia” de degraus teve de ser feita em jeito de escalada... de gatas.



Mas a recompensa foi mais do que gratificante pela maravilhosa paisagem que se estendia a nossos pés.



Como recompensa resolvemos regressar ao átrio e saborear uma refrescante Coca-Cola num bar alojado numa caverna talhada na rocha. Tempo para relaxar, esticar as pernas e despedir o cansaço. E prepararmo-nos para a descida...



 Fonte:
"Um" VagaMundo
http://cronicasdeumvagamundo.blogspot.com/2010/09/
al-deir-peregrinacao-ao-mosteiro- Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

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